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Em homenagem ao primeiro governante Mazatli-Tecutli ou Mazahuatl (Senhor Cervo), é a fusão racial e cultural dos assentamentos tolteca-chichimecas que se estabeleceram na área de San Felipe del Progreso, no Estado do México e também em Michoacán. Caracterizou-se por seguir os seus padrões culturais e saberes ancesttrais, através da sua língua, da tradição oral, da música, da dança, do artesanato, do seu vestuário, da sua visão do mundo e das suas práticas rituais e religiosas.
Além da produção de têxteis, também se dedicavam à agricultura e à fabricação de cerâmica, que comercializavam em comunidades próximas, como os Otomíes e Matlatzincas. Porém, a partir da colônia, sua renda foi reduzida por diversos fatores e a subsistência era difícil devido à extrema pobreza em que viviam e ao atraso social, por isso decidiram migrar para outros lugares, principalmente para a Cidade do México para oferecer informalmente suas mercadorias, bem como sua força de trabalho em diversos espaços.
A cultura Mazahua se destaca pela habilidade de criar bordados para suas peças têxteis. Toda a família está envolvida no trabalho, cada membro realiza diferentes atividades, uns desenham, outros cortam e outros bordam para conseguir um produto que seja fiel as suas convicções e crenças. Nos tempos pré-hispânicos, a comunidade Mazahua usava suas roupas tradicionais que eram de uso diário e cerimonial, cada peça era finalizada com bordado. Os seus têxteis caracterizam-se por uma gama de cores fortes, onde a cor tem um significado importante na comunidade. Seus desenhos representavam a tradição de sua cultura, sua história familiar, sua forma de viver e perceber o meio ambiente, expressados através de símbolos geométricos, antropomórficos, zoomórficos como o veado e o coiote, além de plantas e flores típicas da região, que têm ligação com sua visão de mundo. Os pontos de bordado mais usados são: o alinhavo, “pepenado” (ponto cruz) e ponto corrente, eles também usam os teares de cintura e os de pedal para fazer as peças que depois serão usadas para bordar.
Com a facilidade de importação novos tecidos vindos de Espanha como lã, linho, acrílico ou cetim, entre outros foram incorporados para melhorar a qualidade das roupas; da mesma forma, que criaram novos bordados, para fazer os acabamentos das peças, porém sem deixar para trás suas raízes e tradições.
Uma curiosidade: esse grupo de povo originário mexicano é o único do país que tece o rebozo de aroma (um tipo de xale), na cor preta, próprio para o pesar do luto. Obedecendo um ritual de nove passos, tecem os fios negros e aplicam uma fragrância específica, com uma mistura de plantas e ervas, para que o aroma nunca mais deixe o tecido, não importando quantas vezes venha a ser lavado.
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