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Na Amazônia peruana existem mais de 12 etnias diferentes. O povo Shipibo-Konibo se distribuiu ao longo das margens do rio Ucayali, existindo mais de 140 comunidades nativas organizadas nessa região.
Uma das características desse povo originário é a prática do Xamanismo. Uma cerimônia cuja bebida típica, a Ayahuasca (folha do cipó) é preparada e usada de acordo com as crenças desse grupo para se conectarem com os antepassados e os espíritos em busca de respostas aos problemas que o grupo encontra na vida terrena.

Embora todos os homens saibam como preparar a bebida, normalmente apenas um ou dois em cada aldeia o fazem habitualmente.
Os bordados Shipibos trazem toda a ancesttralidade desse povo e as visões promovidas pela bebida Ayahuasca são representadas através dos kenes (desenhos sagrados).
Durante o bordado, os cânticos são entoados para evocar os espíritos, trazendo a força das visões da medicina da floresta que inspiram a prática de bordar, o que na tradição Shipibo é passada de geração em geração.

Antigamente o povo Shipibo-Konibo plantava algodão, fiavam e teciam. Eles usavam tintas naturais para pintar os desenhos de saias, cushmas (vestidos inteiros) e coroas. O tecido é provavelmente de origem andina, o tear é horizontal e pode variar de tamanho dependendo da peça que se deseja tecer. As peças mais compridas permitem tecer no mesmo tear um tari (túnica longa usada pelos homens) e várias chitontis (saias); os fios podem atingir até oito metros de comprimento; as pontas são fixadas na cintura da tecelã o que lhe confere a tensão necessária. Terminada a peça, ela é cortada em tantos elementos do figurino e cada um dos objetos tecidos é decorado. Os artesãos não utilizam nenhum instrumento para medir os traços, não fazem maquetes ou rascunhos.

Eles ficam diante de uma tela e começam a criar designs guiados pelas visões de seus pensamentos. As linhas representam um quadro de caminhos pelos quais os seres vistos durante o processo de transe percorrem, comunicando-se entre si e transportando conhecimentos, objetos e poderes. Atualmente, as mulheres utilizam vários métodos de desenho do kene. Alguns usam aparas de madeira ou pincel em tecidos industriais. Outras bordam com linhas coloridas ou costuram aplicações. O uso de fios de diversas cores no tear é comum para tecidos de diversos tamanhos, panos e pulseiras. O traçado dos desenhos segue um padrão geométrico e forma labirintos que nunca se repetem. Expressam a cosmovisão e a interpretação das canções entoadas.
Nunca foram conquistados pelo povo inca mas não resistiram à colonização espanhola.
Para nossa alegria ou tristeza há uma população desta tribo ainda vivendo nesta localidade. Hoje em dia, as linhas, agulhas e e até o tecido á são industrializados. As roupas mais tradicionais só são usadas em cerimônias.
Créditos das imagens: Google