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Qual a sua técnica de bordado?
Eu não trabalho com apenas uma técnica. Inclusive acho que os trabalhos com bordado ficam ainda mais interessantes quando tem uma mistura de técnicas, texturas, etc. Por isso eu sempre busquei aprender muitas técnicas diferentes, de origens distintas. No meu currículo tenho mais de 30 técnicas de bordado, mas se tiver que escolher uma como preferida seria o Blackwork. Esse é um bordado em ponto contado, no contexto contemporâneo ele é desenvolvido com linhas de diferentes espessuras para dar a impressão de sombreamento. Mas claro que cada artista vai ter sua identidade ao utilizar essa técnica ou qualquer outra.
Como o bordado chegou na sua vida?
Meu primeiro contato com o bordado foi através da minha mãe, ela borda ponto cruz desde que estava grávida de mim. Sempre a vi bordando e mostrei bastante interesse, por isso minha mão me ensinou a bordar desde cedo, com cerca de 8 anos. Mas só fui buscar aulas com profissionais quando tinha 17 anos, portanto já faz mais de 10 anos.
Em qual momento do dia você borda?
Como eu trabalho só com bordado, eu acabo bordando durante todo o dia. Mas quando estou fazendo um projeto pessoal, que não faz parte do meu trabalho no ateliê gosto de bordar a noite.
Quais são as suas influências para o desenvolvimento do seu trabalho?
Minhas maiores influências no meu trabalho são bem diversas. Pensando no contexto do bordado, algumas professoras que tive na Royal School of Needlework me inspiram bastante como a Jen Goodwin e Jacqui McDonald’s. As obras do Willian Morris também servem de muita inspiração, tanto pela estética dos desenhos e cartela de cor como sua importância para o movimento Arts and Crafts. Também tenho um pouco de influência na moda como Vivienne Westwood e Alexander McQueen.

Quais foram os principais desafios que você vivenciou ao longo da sua experiência com o bordado?
O maior desafio é encontrar as informações das técnicas de bordado registradas no papel de uma maneira mais oficial. Como o bordado foi passado de geração em geração, esse registro vai se perdendo ao longo do tempo, principalmente se você considerar essa bibliografia em português. Mas hoje em dia o número de livros de bordado publicado está crescendo, o que trás um pouco de esperança.
Onde você busca inspiração?
Eu busco bastante inspiração no mundo da moda, como minha primeira formação é em Design de Moda, esse contexto acaba sempre presente nos meus projetos. Mas a arte e a arquitetura são grandes fontes de inspiração, tanto para cartela de cor, textura, formas, etc. Já desenvolvi uma coleção de roupas com todas as peças bordadas e foram inspiradas na arquitetura alemã. A natureza é outra influência no meu trabalho, já que a maioria das técnicas de bordado se encaixam muito bem na fauna e na flora como o Crewelwork, por exemplo.

O que não pode faltar na sua caixa de bordado?
Uma boa tesoura e um dedal.
Qual conselho você daria para uma novata?
A chave do bordado é o treino, quando mais você praticar um ponto, melhor você vai ficar nele. Não espere um resultado incrível nos primeiros pontos, o bordado é um trabalho de paciência e perseverança. Conforme você começar a ver seu avanço vai te dar uma gás para continuar e não parar nunca mais.
Quando você percebeu que gostava de ensinar?
Como eu era uma das poucas alunas da minha turma que sabia bordar na Faculdade de Moda e eu desenvolvia todos os projetos com bordado, uma das professoras me chamou para dar um workshop de bordado e foi ai que percebi que esse era o meu objetivo de vida: ensinar tudo que eu aprendi sobre o bordado para que não se perca com o tempo.
Crédito das fotos: @behuten.bordado