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O bordado em ouro sempre foi sinônimo de status, luxo e riqueza.
Na Inglaterra um dos primeiros trabalhos que permaneceram conservados são os têxteis associados a São Cuthbert, que fazem parte do acervo do Tesouro da Catedral de Durham. São paramentos em forma de estola e manípulo que datam do século X. É interessante notar que nestas primeiras peças de têxteis para igrejas, os fios dourados agiam como um contorno decorativo ou fundo para destacar os detalhes bordados finos. Esse uso do ouro como fundo foi aprimorado durante o período medieval na Inglaterra, período em que essa obra ficou conhecida como Opus Anglicanum (obra inglesa).

Foi o domínio da ourivesaria em uma técnica chamada Underside Couching (técnica de acolchoar: usar um fio metálico revestido com pontos específicos que resultará em um bordado com relevo) na época, que ajudou a tornar este trabalho tão famoso e altamente procurado.

Na verdade, era tão valorizado que era usado como presente político em toda a Europa. Uma das razões pelas quais a Igreja usava ouro era para celebrar a majestade de Deus.
Mais tarde, o ouro passou a ser usado em bordados que tinham a finalidade de permanecerem por muitos séculos, embora haja muito menos desse bordado secular antigo ainda existente. Isso pode ser devido aos enormes custos envolvidos apenas nos materiais. Esses valiosos fios de metal eram frequentemente reciclados ou mesmo derretidos.
É importante lembrar que durante esse período inicial havia uma hierarquia estrita em vigor, mas isso também significava que um clérigo e um rei tinham aparências a defender – afinal, eles haviam sido favorecidos por Deus para uma posição elevada.
Durante uma época de analfabetismo generalizado, o impacto da palavra escrita foi restrito, mas isso deu às imagens e ao reino visual mais poder sobre os sentidos e a mente.
Essas imagens seriam usadas para informar e moldar seu público. A pompa e as circunstâncias criadas pelo uso inspirador de fios de metal no trabalho da igreja foram observadas com atenção pelos reis e imitadas sempre que possível. Ainda hoje vemos evidências disso no uso de tranças e bordados dourados em uniformes militares.

No caso dos bordados ingleses uma curiosidade, os bordados que foram realizados para os membros da nobreza, possuíam características próprias, o bordado é usado apenas nas vestes femininas, sendo que as masculinas haviam apenas a trança dourada.
Os símbolos escolhidos para o manto da coroação são extremamente significativos, pois representam o que um monarca esperava em seu reinado vindouro. A Rainha Mãe, por exemplo, escolheu a flora e a fauna de alguns dos países da Comunidade Britânica em sua época de coroação. Figuras como feixes de trigo e espigas de cevada representavam paz e prosperidade, o que era esperado em todo o país no período pós-Segunda Guerra Mundial.
O bordado nas vestes é uma mistura de técnicas padrão e complexas de fios de metal trabalhadas no mais alto nível técnico tradicional. Várias bordadeiras trabalhavam nas vestes ao mesmo tempo e cada uma tinha que costurar de maneira uniforme para dar a impressão de que apenas uma mão as havia bordado. Isso, por si só, pode ser um processo complexo, mas acrescente a isso as restrições de tempo. Essa técnica requer disciplina, compreensão, paciência e manuseio cuidadoso, juntamente com criatividade, atenção aos detalhes e o desejo de misturar escultura tátil com o esforço de alcançar o belo jogo de luz indescritível na superfície que foi criada.

Crédito das imagens
London Embroidery School
Craftsy
Revista LOfficiel