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Homens que bordam – Carlos Arias

Homens que bordam – Carlos Arias

Carlos Arturo Arias Vicuña (Santiago de Chile, 1964), também conhecido como Carlos Arias, é um artista chileno radicado no México desde 1988. Formado em Belas Artes e dedicado à pintura, em 1994, por influência de sua então parceira, a artista Mónica Castillo, decidiu abandonar a pintura para se dedicar ao bordado, percebendo esta atividade como uma opção de reflexão conceitual sobre o trabalho manual.

Vivendo a ditadura militar de Augusto Pinochet no Chile durante sua infância, a família de Carlos decidiu emigrar para o México em 1975. Porém, em 1983 ele retornou ao seu país natal para estudar licenciatura em Artes Plásticas na Universidade do Chile, na capital Santiago. Em 1988 retornou ao México para cursar o Mestrado em Artes Visuais na Escola Nacional de Artes Plásticas da UNAM.

Muito jovem começou a realizar exposições individuais e coletivas na América e na Europa. Em 1994 decidiu deixar a pintura para se dedicar ao bordado. Isso começou em 1991, quando lhe ocorreu colocar no topo de uma rígida paisagem a óleo da cordilheira andina chilena, um bordado de duas crianças pescando que ela havia feito para uma almofada, com um kitsch (produções artísticas consideradas inferiores, feias e exageradas) todo estampado, que intitulou: Chile, um país a conhecer, 1991, referindo-se à pós-ditadura chilena que se inaugurava.

Outras de suas obras também fizeram referência aos vestígios de violência deixados no Chile pelo regime de Pinochet, bem como à repressão militar e ao autoritarismo. Mostrou a crueza do momento histórico, colocando cabeças de bonecas em potes, bonecas nuas em uma formação, ou uma paisagem e ao lado a paleta das raças chilenas. Outra característica de suas obras foi adicionar objetos pictóricos extras às suas telas, como pães ou velas. Contudo, Carlos perceberia que o bordado representava uma fuga à sua técnica pictórica e permitia-lhe um espaço de reflexão.

Em 1998 ingressou na escola de artes plásticas da Universidade das Américas Puebla como professor.

Bordado
A artista Mónica Castillo que despertou em Carlos o interesse por esta técnica, que também lhe tinha sido negada por não ser considerada uma atividade masculina.

Carlos assumiu o bordado abertamente, pelo que alcançou diversos rumos e possibilidades de exploração e produção, testando assim a natureza do pictórico. Em seus trabalhos mais simples ela começou a usar padrões de bordado como guia e os alterou colocando seu desenho por cima. Inseriu traços no rosto, ou deu-se ao luxo de preencher com escrita a superfície de um bordado, também se rebelou contra as convenções sociais e os limites da representação. Arias passou a intercalar técnicas de bordado normalmente conhecidas, brincando com outros materiais e superfícies. Sobre o bordado, o próprio artista diz:

“Como novo processo no meu trabalho como pintor, resultou uma diáspora de ideias entrelaçadas; por um lado a técnica marginalizada das artes plásticas, por outro uma coincidência desta marginalidade num mundo masculinizante, onde este trabalho é tradicionalmente realizado por mulheres. Os seus usos decorativos também conferem ao bordado aquele ar de familiaridade, com um certo caráter básico e nostálgico. Assim, tive como premissas um grande conjunto de contradições: resolvi desvendar esse nó a partir do trabalho diário que a própria prática proporciona.”

A forma como o bordado livre reproduz as texturas na superfície deu a Carlos diversas semelhanças com a pele, os vestidos, a maquiagem, que ao contrário da tinta, não só é adicionada à superfície, mas sim o fio penetra na estrutura do tecido, intervindo claramente na sua estrutura. Devido a esta intervenção, o artista descobre no bordado um meio propício a uma grande variedade de possibilidades conceituais, como representar as diferenças entre três tipos de máquinas de bordar, em sua obra: Artesanato. Ela também utilizou amostras de linhas e pontos para criar diversos trabalhos; bordou um gráfico que representa a relação entre trabalho e tempo para a atividade do bordado. Ele transformou o cerzido invisível em uma contradição, bordando o tecido e depois fazendo parecer que essa ação não foi realizada, passando o fio por tecido.

Arias tomou o bordado não apenas como uma mudança na atividade artística, mas adotou essa prática com um propósito totalmente crítico, pois a modernidade e as convenções sociais rotularam o bordado como uma arte menor, devido à marginalização que recebeu por ser uma atividade feminina desde o Renascimento. O bordado já não era considerado uma profissão profissional de poder na Idade Média, mas agora serviria para atrair as mulheres das classes alta e média para o domínio do trabalho doméstico. Tornou-se uma forma de reclusão e subordinação, sendo concebida como uma atividade inteiramente ociosa e laboriosa.

Aberto a todas as possibilidades que o bordado lhe oferecia, em 2001 experimentou dar aos fios um potencial escultórico, em que pudessem dar volumes ou representar sensações táteis. O fio apresenta ainda uma variedade de estruturas que crescem vertical ou horizontalmente, linhas e formas que sucumbem à lei da gravidade, figuras geométricas tridimensionais, relevos e pompons que evocam figuras orgânicas. Esta questão escultórica surgiu repentinamente ao tentar fazer um círculo, com as dobras projetadas para fora. Este fenômeno foi rapidamente explorado por Arias, nas suas obras deu especial atenção à transmissão de texturas e até convidou o público a tocar nas peças cheias de fibras diferentes. Com essa característica de tridimensionalidade e a semelhança que algumas fibras possuem com a pele e os tecidos humanos, Carlos fez esculturas de penetrações criando dobras com os fios, como é o caso de sua obra Cunnilingus.

Em 2004 Arias fez um breve retorno à pintura, mas em 2011 voltou ao bordado, fazendo trabalhos replicando fotografias de sua família, incluindo em seu trabalho todos os conflitos que surgem em cada história pessoal.

Carlos Arias documentou com bordados parte de sua biografia e de suas memórias familiares, suas mudanças de orientação sexual, a memória do abandono de seu país, o Chile, seu exílio no México, suas ideias e desejos como artista. Esses murais são produto de décadas de trabalho, propondo uma relação entre arte e vida.

 

Crédito de Imagens:

Google

Museo Nacional de Bellas Artes de Santiago – Chile

 

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