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Na segunda metade do século XIX, o fluxo de imigração entre Itália e Brasil foi impulsionado por acordos entre os dois países. Milhares de imigrantes italianos sobretudo do Norte da Itália rumaram à região onde atualmente é o Rio Grande do Sul.
Ao receberem os lotes do governo brasileiro, os imigrantes começaram a construir uma nova vida no país que os acolheu. Do seu país de origem não puderam trazer muita coisa, porém mais do que roupas e móveis, trouxeram seus valores culturais, seus usos e costumes, sua identidade.

O bordado desde o início se fez presente em panos de decorar a parede. Esses eram bordados pelas mulheres que buscavam através deles criar um lar que representasse suas memórias afetivas.
Muitas referências bibliográficas demonstram como sendo de tradição germânica o uso desses panos de parede, isso é possível porque geograficamente o norte da Itália se aproxima de outros países europeus.
Esses panos de parede de acordo com pesquisadores eram o primeiro material escrito com o qual a criança aprendia a ler, os panos continham textos curtos e fáceis de serem lembrados, e muitos deles continham desenhos representativos religiosos. Quando continham temática religiosa normalmente estavam junto de altares ou prateleiras onde haviam crucifixos e imagens de santos.

Outro aspecto curioso e interessante era relativo ao aproveitamento de embalagens, a reutilização de sacos de açúcar e de farinha para a confecção dos panos de parede, panos de prato, lençóis, colchas, toalhas, guardanapos, e muitas vezes até peças de roupas para as crianças.
Como sabemos, o ambiente doméstico até recentemente foi território feminino. É possível perceber isso nos dizeres de muitos dos panos de parede. Aos homens cabia o espaço público, o trabalho realizado com o convívio diferente do familiar e as mulheres o trabalho em casa, na criação dos filhos, na manutenção da casa, na costura e no bordado.
“ Dono de casa sou eu, quem manda é minha mulher”
(Exemplo de dizeres em um pano de parede)
Muitas das lembranças eram feitas e repassadas às gerações na cozinha. Esse ambiente faz parte da cultura italiana, local onde alimentar significa afeto. Na cozinha se consolidava a cumplicidade entre as mulheres, a transmissão de valores culturais inclusive o aprendizado do bordado.
Crédito das imagens:
acervo ancesttral.studio