Digite sua busca e pressione enter
Egito
É uma técnica de bordado, em que pedaços de tecidos são sobrepostos. Normalmente o tecido debaixo é maior, e ambos são bordados juntos, muitas vezes para criar um efeito decorativo.
O uso de Appliqué remonta a pelo menos 3.300 anos A.C e é provavelmente muito mais antigo. Alguns dos exemplos mais antigos de Apliqué vêm do túmulo do antigo faraó egípcio, Tutancâmon.

Na cidade do Cairo, no Egito, a Rua dos Fazedores de Tendas na região de Shari Khayyamiya (ou Suq Al-Khayyamiya) é uma localidade conhecida pela produção desse tipo de painel com essa técnica. Originalmente eram usados para decorar tendas e pavilhões. O nome Khayyamiya vem da palavra árabe khayma que significa tenda.
No século XIX, os artesãos também faziam e decoravam pavilhões urbanos usados para reuniões familiares e oficiais e não simplesmente como acomodação residencial.

Normalmente, o exterior dessas tendas era feito de algodão liso e esbranquiçado, enquanto o interior era forrado com padrões geométricos entrelaçados, geralmente em azul, verde, vermelho e amarelo.
No século XX, cada vez menos pavilhões estavam sendo feitos e os artesãos começaram a fazer tapeçarias, painéis menores, capas de almofadas, bolsas e peças de vestuário. No início do século XXI, uma gama mais ampla de cores e desenhos foi desenvolvida para atender aos gostos modernos. As principais formas são:
Geométrico ou Islâmico
Esta categoria inclui desenhos geométricos tradicionais para tendas usadas localmente e similares. Estes são considerados por muitos como a forma tradicional e representam o estilo mais comumente copiado em versões impressas à máquina.
Caligráfico
São Appliqués baseados em textos islâmicos tradicionais, especialmente os do Alcorão. Este tipo de desenho segue a mesma tradição das inscrições medievais. Esses grandes painéis são feitos para tapeçarias que decoram mesquitas e edifícios públicos e para uso como bandeiras.
Cenas Faraônicas
Desde a segunda metade do século XIX, foram feitos painéis retratando cenas baseadas em túmulos egípcios antigos e relevos de templos, versões modificadas de hieróglifos antigos além de caçadores, cenas agrícolas e animais foram feitos. A produção desse estilo está intimamente relacionada à abertura do Canal de Suez em 1869 e ao desenvolvimento do turismo de massa (principalmente da Europa e América do Norte). No final do século XX, também passaram a existir painéis com pássaros, borboletas e peixes.

Folclore Egípcio e Vida Cotidiana
Mostravam desenhos retratando a vida cotidiana no Egito ‘moderno’, na maioria das vezes cenas agrícolas, de rua e de vilarejos começaram a aparecer.
À partir deste momento a rua agora começou a atender um mercado turístico local, nacional e internacional; este último não só incluindo ocidentais, mas também compradores de outras partes do mundo árabe, além de turistas da Ásia.
Índia
O trabalho de Appliqué, às vezes chamado de bordado “Kantha”, é um bordado tradicional usado há gerações na Índia. O método envolve cortar formas de tecido e fixá-las em um tecido de fundo com cola ou costura para criar um desenho.
A necessidade de trajes de casamento exclusivos também contribuiu para a popularidade de apliques e bordados personalizados nestas vestimentas. Muitas pessoas procuram constantemente novas abordagens para apimentar seus guarda-roupas de casamento.
São tradicionalmente feitos e usados principalmente por mulheres; que desempenharam um papel significativo na transmissão da habilidade do bordado de Appliqué de uma geração para outra na Índia. Além disso, têm sido essenciais na manutenção desta prática cultural, atuando tanto como criadores como mecenas das Artes.
As mulheres indianas vestem saris, longos pedaços de tecido pendurados sobre um ombro e enrolados no corpo. Padrões geométricos ou florais são cortados de tecidos contrastantes e costurados ou colados no tecido primário dos saris com técnica de Appliqué.

Cada sari apresenta um padrão único feito à mão usando a técnica Appliqué, podendo ser minimalistas e discretos ou vibrantes e brilhantes. O bordado Kantha, como esta forma é frequentemente conhecida, é comumente utilizado em saris bengalis. A importância cultural e o apelo estético do Appliqué dos saris o tornam ideal para celebrações e rituais que exigem algo único. Essa técnica também é aplicada ao Kurtis, uma vestimenta indiana versátil, uma espécie de túnica muito usada atualmente.
Europa
O termo “appliqué” viajou com os franceses enquanto eles exploravam o mundo. Guilherme, o Conquistador, provavelmente o trouxe para a Inglaterra em 1066; Napoleão levou-o para o Egito, onde aplicar um desenho em tendas era um costume estabelecido há muito tempo.
A palavra “quilt” vem para o inglês através da palavra do francês antigo “cuilte” que, por sua vez, vem do latim “culcita”. Os romanos usavam uma “culcita” como colchão feito de um sanduíche de duas camadas de tecido com um leve acolchoamento no meio. Os japoneses fazem a mesma coisa com o seu “futon”.
Appliqués e patchwork são conhecidos em todo o mundo e usados na vida cotidiana há quase 2.500 anos. O exemplo mais antigo de patchwork que sobreviveu é uma colcha de dossel egípcia de 980 a.C. Ambos foram usados em muitas culturas para criar roupas, mantas de sela, tendas e outros itens de uso diário. É claro que não se chamava Appliqué, mas qualquer palavra que sua língua tivesse para esse tipo de trabalho.
Até que o tecido (em particular o algodão) se tornasse prontamente disponível, os Appliqués não faziam necessariamente parte de patchwork ou quilting, mas eram usados e colocados em diferentes materiais, como couro e lona. Os designs aplicados em itens do dia a dia eram muitas vezes símbolos considerados importantes como proteção para o usuário, para identificar famílias por seus brasões ou para representar animais domésticos, flores e outras situações da vida cotidiana.
O quilt e os Appliqués originaram-se e foram amplamente utilizados na Ásia e nos arredores, espalhando-se de lá para a Europa durante as Cruzadas ao longo da Rota da Seda. Descobriu-se que coletes e jaquetas acolchoadas eram eficazes para desviar flechas em batalhas. O governante japonês Toyotomi Hideyoshi (1537-1598) tinha um colete de campanha acolchoado de cor creme com uma flor estilizada de paulownia (uma árvore ornamental majestosa, conhecida no Brasil como kiri-japonês) em vermelho brilhante nas costas.
A palavra “ruche” vem do francês antigo para descrever as colmeias de sobreiro feitas para manter as abelhas aquecidas no inverno e frescas no verão. Os entusiastas de Appliqués conhecem a palavra como um método de criação de detalhes tridimensionais utilizando esta técnica em colchas.
Estados Unidos
Diferentes culturas desenvolveram vários estilos de quilting. Colchas de tecido inteiro, Trapunto (latim) e colchas listradas eram populares em vários países. Patchwork, quilting e Appliqués, como os conhecemos hoje, são exclusivamente americanos. Os EUA têm uma história diferente de qualquer outra no mundo. Os imigrantes começaram a chegar da Inglaterra, Escócia e Irlanda, depois de outros países. Eles trouxeram as várias artes e ofícios com os quais estavam familiarizados. Os padrões de Appliqués foram transferidos de desenhos familiares para tecidos, bem como traduziram a flora e a fauna da nova terra em colchas.

Em diferentes regiões do país, vários padrões antigos de patchwork e Appliqués foram renomeados ou alterados para mostrar orgulho e apoio à política e cultura americanas emergentes.
O Museu das Filhas da Revolução Americana (DAR) em Washington DC, tem colchas de Appliqués que datam da década de 1780 em sua coleção de colchas. Exemplos dos primeiros Appliqués americanos seriam as colchas boderie perse da Virgínia e os álbuns de Baltimore de Maryland.
A técnica hoje em dia

Com a intenção de modernizar os trabalhos hoje em dia muitos artistas têxteis misturam mais de uma técnica para a realização de um projeto.

Almofadas, bastidores feitos para decoração e roupas podem serem encontrados com Appliqué .


Crédito das imagens:
acervo ancesttral.studio
corinnepierre
suzyquilts
catherineredford
Sharon Keightley Quilts