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Existe uma divisão no bordado da Madeira em três grupos: os bordados antigos, aqueles que exprimem o gosto popular, que é mais simples; os bordados clássicos mais elaborados, que refletem um gosto mais refinado e intelectual; e os bordados modernos que não são mais do que adaptações aos mercados de consumo atuais.
Os bordados da Madeira tiveram origem com os primeiros colonos que chegaram e povoaram esta ilha.
As mulheres começaram por fazer barras para lençóis e camisas onde utilizavam os pontos: atrás, caseado e etc.
Conhecer a técnica dos bordados da Madeira, isto é, os pontos e os desenhos é de alguma forma descobrir a história da Madeira.
Os bordados da Madeira despertaram o interesse em alguns comerciantes, principalmente desde 1850, data em que Miss Phelps (veja nosso post sobre ela) reconheceu a sua qualidade e o seu bom gosto e os fez chegar até Inglaterra. Iniciou-se então uma mudança que transformou não só a vida das mulheres da região como a própria economia da ilha. Foi necessário responder às solicitações de outros mercados: Inglaterra, França e Itália.
Podemos dizer que no distrito do Funchal, a indústria que prevalece é de fato a indústria dos bordados.
Existem, no entanto, na ilha dois tipos de bordadeiras: umas que são profissionais e outras rurais que apenas bordam no tempo que sobra do trabalho da casa para ganharem algum dinheiro.
As bordadeiras profissionais estão concentradas principalmente na região de Funchal, enquanto que as bordadeiras rurais encontram-se espalhadas por todo o distrito, com predominância na costa sul da Madeira e na ilha de Porto Santo.
O grande desenvolvimento da indústria dos bordados da Madeira deve-se sobretudo a casas de comércio exportadoras alemãs, que se fixaram na cidade do Funchal em meados de 1881 e que através da Alemanha e da América do Norte reexportam os bordados.
Os Armazéns Grandella, no fim do século passado, divulgaram os seus artigos, fazendo propaganda para o exterior com um catálogo, onde se podiam apreciar as amostras de tecidos e os modelos. À distância, os clientes faziam as suas encomendas. É realmente difícil distinguir o bordado da Madeira do bordado inglês, principalmente nos mais antigos.
O bordado antigo da Madeira é caracterizado por filas de ilhós e por formarem pequenas e repetidas composições
No bordado antigo da Madeira sobre algodão, cambraia ou linho era aplicada sobre linho cru ou pano de algodão da mesma cor. Neste século bordou-se, além dos materiais tradicionais, sobre a seda, o crepe, o tule e o organdi.
Não se sabe quando se começou a bordar na ilha, com estes pontos a que hoje chamamos pontos – Madeira. Borda-se desde sempre, pois o bordar é como que instintivo na vida da mulher de todos os tempos.
Provavelmente o interesse pelo bordado da Madeira, com a introdução de novos pontos e motivos, se deve a Elizabeth Phelps, senhora inglesa que viveu no Funchal, por volta de 1860.
Segundo consta, descendia de José Phelps, britânico, que veio para a Madeira nos finais do séc. XVIII. Consta que Miss Phelps admirou muito a perfeição dos bordados de algumas moças que viviam em Santa Clara e que as motivou elas a realizarem encomendas, principalmente para Inglaterra. A arte de bordar na Madeira começou a ter certa importância econômica, para a população feminina na ilha, já no século passado.
Toda a influência inglesa surgiu no séc. XIX e o aparecimento ao público como manifestação artesanal, aconteceu só em 1850 na “Exposição da Indústria Madeirense”.
Os bordados sofreram modificações ao longo do tempo. Os trabalhos realizados com linha azul foram progressivamente sendo abandonados e, as tiras de variadas larguras de folhagens e ilhós abertos, com principal aplicação em roupas de senhoras e crianças, foram ampliadas a outro tipo de peças de linha branca com desenhos diferentes dos antigos que, por isso mesmo, vão se afastando aos poucos dos verdadeiros e característicos bordados da Madeira.

Atualmente o desenho é criado por um criador de bordados ou adaptado por um técnico desenhador; depois é colocada uma chapa sobre o original e são picotados os desenhos com uma máquina própria de picotagem.
Com a chapa sobre o tecido para bordar, usa-se uma pasta à base de parafina, azul e petróleo e estampa-se no pano. O pano é então passado à bordadeira, que executa a arte final (bordado).
As peças bordadas, são lavadas e passadas a ferro.
Os recortes são feitos em seguida nos trabalhos que englobam motivos abertos. Depois a peça é engomada, dobrada e, por fim, embalada.
Os pontos mais utilizados nos bordados da Madeira são: caseado, Richelieu, arrendados, pé de flor, francês, de sombra e o ponto de hachura. Como derivados existem o ilhós e a folha aberta.
A criação de bordados, contagem técnica dos pontos, estampagem, colorido e registo é feito na fábrica de bordados.
Há um “agente” da fábrica que se responsabiliza pela distribuição dos bordados às bordadeiras, especialmente na zona rural. A bordadeira executa este trabalho domesticamente e volta à fábrica para pagamento e acabamentos. Nas fábricas existem empregados e operárias. São estas operárias que preparam a estampagem e os acabamentos.
O Bordado Madeira encontra-se regulamentado, estando tipificados na legislação (Decreto Legislativo Regional N.º 7/91/M de 15 de março), as matérias primas e os pontos que lhe garantem a autenticidade e certificação.
São inúmeros os artigos onde é possível enquadrar o Bordado Madeira, no entanto e no que concerne os tecidos, existem especificidades que têm ser respeitadas, conforme segue:
No caso das linhas, só é permitida a utilização de linhas de bordar em seda e de linhas do tipo floss (algodão) com a espessura mínima n.º 16.
Na categoria dos arrendados incluem-se os pontos Ana, Crivo e Escada.
Os lançados por urdidura incluem os pontos: Cordão, Cheio, Caseado, Ilhós, Cavaca, Oficial e Richelieu.
Relativamente à categoria outros, nesta incluem-se os pontos Pesponto, Francês, Sombra, Corda, Granito e Matiz.
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