Digite sua busca e pressione enter
É bastante difícil determinar com exatidão a data e a origem do local de fabricação dos bordados de Arraiolos.
Assim tudo que existe de informação é resultado dos exemplares que sobreviveram ao tempo.
Os exemplares mais antigos de tapetes de Arraiolos, realizados com bordados apontam para o séc. XII.
A localidade de Arraiolos é encontrada claramente em 1699 em uma alfândega de Lisboa, onde se podia ler “…Tapetes de Arrayolos a pagar 40 mil reis a vara…”
Os bordados de Arraiolos estão intimamente ligados à realização dos tapetes, que chegaram até aos nossos dias e se confeccionam na localidade que lhe deu o nome.
A Europa desde muito cedo ficou fascinada e valorizava os tapetes orientais. Esse fascínio extende-se até aos nossos dias.
A pintura Ocidental, pelo menos desde o séc. XIV, consiste numa importante fonte documental, que nos revela que os tapetes e as tapeçarias Orientais em Portugal têm o mesmo destino que em toda a Europa. Principalmente no séc. XVI, podiam adornar ruas e praças em dias de festa, como serviam também para as mesas, arcas dos palácios e das casas dos senhores feudais, bem como para além de servirem de revestimento ao chão e estrados de cama.
Os pintores renascentistas representam frequentemente cenas onde a Virgem é pintada sobre tapetes e as tapeçarias orientais.
Portugal vive nessa época um período de turbulência histórica. A irmã de D. João III casa com Carlos V e em resultado deste enlace, Filipe II de Espanha ocupa o trono de Portugal. Os nobres portugueses recusam-se a ir viver em Madri, e muitos deles retiraram-se para as suas propriedades.
É neste contexto histórico que podemos encontrar a especificidade e a origem dos bordados e por consequência os tapetes e as tapeçarias de Arraiolos, baseados na mistura entre o gosto ocidental por um lado e, por outro, a História de Portugal.
A dualidade entre o artístico e o artesanal está sempre presente nos tapetese as tapeçarias Bordados de Arraiolos.
Muitos dos exemplares que sobreviveram até aos nossos dias repousam ainda hoje nos inúmeros museus deste país, enquanto que outros foram completamente votados ao esquecimento.
Os tapetes e as tapeçarias já por si diferenciados pela sua técnica “o bordado”, apareceram e foram evoluindo através de um grande paralelo e semelhança com os orientais produzidos em tear, com a técnica do nó.
Os Arraiolos são tapetes bordados, inicialmente sobre uma tela de linho, utilizando um ponto cruzado, hoje vulgarmente conhecido como ponto de Arraiolos. A designação do ponto sugere o seu aparecimento na sua localidade. No entanto, o ponto já é conhecido na Península pelo menos desde o séc. XII. Existem trabalhos portugueses e espanhóis em outro tipo de objetos (bolsas de corporal, tiras bordadas) em que o ponto é exatamente o mesmo, só que executado em seda.
As bordadeiras dos tapetes tiveram a “audácia” de trocar a seda pela lã, o suporte linho ou seda finos pelo linho grosseiro, a peça de altar ou o requintado adorno pela criação de objetos cujo destino seria serem pisados ou cobrirem arcas.
No séc. XVIII, bordar tapetes na vila de Arraiolos era já muito popular. O tapete mais divulgado é o “tapete dos bichos” que consiste no desenvolvimento de vários desenhos de animais que se desenvolvem à volta de um medalhão central.
A partir do séc. XVIII os desenhos afastam-se definitivamente dos originais, nos primeiros anos do séc. XIX começa a decadência da indústria. Os desenhos ficam maiores e o colorido se altera completamente.
As cores predominantes eram o vermelho, o amarelo, o azul e o verde. Como cores de fundo usava-se o azul-escuro e o verde musgo. Mais tarde introduzido o castanho como cor de fundo e atualmente é feito respeitando muito à vontade do cliente, embora muitos prefiram os desenhos mais tradicionais que, muitas vezes, dão o nome ao tapete.
Inicialmente quem realizava os tapetes bordados eram as damas nos tempos livres e como tarefas caseiras, ou nos conventos.
Técnica dos bordados de Arraiolos
O ponto de Arraiolos é um ponto cruzado oblíquo, com uma ponta mais larga e outra mais curta, e é uma variante do ponto de cruz.
Este ponto destaca-se pela sua perfeição do lado do avesso.
É importante realçar que atualmente a base é uma tela feita com uma fibra natural, a juta, muitas vezes produzida no Amazonas, e as lãs têm uma torção especial para serem resistentes ao uso ao longo do tempo.
Aquilo a que se pode chamar de densidade no bordado dos tapetes é o maior ou o menor número de pontos bordados contidos dentro de um determinado espaço, por exemplo, dez centímetros quadrados.
Crédito de Imagens:
Google
bordal.com.pt
Pinterest