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A origem dos famosos bordados de Nisa remonta ao século XV, e são vulgarmente conhecidos pelo nome de alinhavados de Nisa, caramelos ou ainda desfiados de Nisa.
Estes bordados são considerados genuinamente portugueses.
No entanto, existem em outras partes do globo bordado de crivo mais ou menos semelhantes a ele.
Este bordado aperfeiçoou-se e procurou imitar a rede, começaram a tirar fios da trama de modo a criar um fundo sobre o qual faziam ressaltar o desenho.
Nos meados do século XIX os alinhavados começavam a ser feitos por moças que pretendiam fazer o seu enxoval e, para isso, junto com as as pessoas mais velhas da vila que as ensinavam os segredos destes bordados.
Hoje em dia, as mulheres desta região do norte Alentejano executam estes bordados paciente e minuciosamente, já que este tipo de bordados exige grande perícia e habilidade. Os alinhavados de Nisa são bordados a branco em pano de linho ou alinhado (linho e algodão) com pontos ornamentais de crivo que lhe conferem maior resistência, pois costuma até dizer que quando se rompe o pano o bordado permanece, apesar do seu aspecto arrendado.
As bordadeiras mais pobres usam para bordar o algodão cru.
Em Nisa podemos também encontrar xales bordados com fios de seda matizados de cores sobre tecido marroquino também de seda, muitos usados pelas mulheres desta região do norte alentejano em festas mas também servem muitas das vezes como objetos decorativos nas casas.
Estes xales constituem também exemplos de elevado valor artístico no que diz respeito aos bordados tradicionais. A execução destes bordados é demorada e difícil, mas revela um grande sentido estético e gosto por esta arte das bordadeiras desta região.
Os bordados de Nisa deixam em aberto o fundo dos desenhos, sendo para isso retirados os fios necessários da trama. Os restantes são bordados com pontos de crivo os quais são enrolados, destacando-se assim dos outros. Este crivo utilizado em Nisa é diferente dos crivos de Guimarães exatamente por ser enrolado.
Os desenhos, que muitas vezes aparecem de forma geometrizada e simplificada, se baseia na fauna e flora locais, geralmente flores, folhas, cruzes de Cristo, aves, e figuras humanas que eram recortados em moldes de papel e posteriormente alinhavados no pano, por não haver antigamente papel químico para decalque acessível.
Como também não havia grande conhecimento sobre bastidores, o trabalho era colocado numa almofada com alfinetes, onde as bordadeiras começavam a tirar os fios e a bordá-los.
O traçado dos desenhos é todo limitado a ponto caseado, e fica recortado no pano não desfiado, bem destacado do fundo formado pela rede dos fios, ligados por pontos de crivo .
É preciso, no entanto, respeitar a originalidade destes bordados e evitar que estes sejam adulterados, porque em trabalhos recentes têm sido introduzidos paulatinamente outros pontos como o Richelieu, ou pontos do bordado inglês que nada têm a ver com os caramelos. Para além disso, muitos dos crivos que aparecem são bastante pobres no que diz respeito às composições e à qualidade do trabalho.
Aplicações em Feltro
Muito típicas de Nisa, presentes nos tradicionais cobertores de faixa, nas saias de camilha, nos centros de mesa, mas também nas pegas de cozinha, em casacos, capas e cortinados – as aplicações em feltro constituem uma das mais antigas formas de bordar, muito associada aos centros produtores de lã, nomeadamente da zona da Serra da Estrela em particular e das Beiras em geral, onde se destacam os capotes dos pastores.
Nisa sofre esta influência, uma vez que a venda de lã e de ponchos vinda dessa zona era prática muito antiga nos mercados.

Podendo ser executadas à mão, é também comum utilizar-se a máquina de costura para a sua confecção: alinhavam-se duas partes de feltro de cores diferentes sobrepostas com o papel vegetal, onde se encontra o desenho, recorta-se cuidadosamente o tecido à volta do ponto e obtém-se uma peça revestida de relevo. Os motivos mais frequentes dos desenhos são as flores, as parras, todo o tipo de folhas, cachos de uvas e outros relativos à flora local.
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