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Pesquisando a arte têxtil no Peru desde que as primeiras pessoas pisaram em território sul americano, é possível ver que, durante todo o período antigo e depois até da chegada dos espanhóis a paleta era composta sempre por cores terrosas, como os vermelhos, laranjas, amarelos, branco, bege, marrom mas também por um conjunto de cores frias alguns tons de azul e verde, sempre com baixa saturação, ou seja mais apagada. Pois a cor pura, sólida, vibrante é a matiz. Quando diminuímos a vivacidade da cor, significa que, mais perto da cor cinza ela está, como resultado a cor parece mais “apagada”.
O oposto ocorre quando a saturação for alta, mais semelhante à matiz original ela será.
Assim observem as imagens abaixo elas mostram mantos, tapetes e capas de vários períodos e culturas distintas mas respeitando uma paleta de cores como o mencionado acima.

Esse fragmento mostra 2 cores; o vermelho que era obtido através de alguns minerais e o azul que dependendo da tonalidade ainda é desconhecida a origem.
Nessa peça ainda vemos uma técnica muito utilizada pela cultura Nasca, que consistia em amarrar algumas áreas do tecido para formar nesse caso pequenas circunferências e com ajuda de algum mineral abrasivo havia o descolorização do tecido.

A peça acima mostra uma tapeçaria que ao centro traz um desenho feito com bordado, não havia muitos pontos conhecidos, aqui o ponto feito é o corrente.

A habilidade de fazer essa composição com essas trocas de cor, mostra o profundo conhecimento do artista na tecelagem.
Mas o que aconteceu para provocar essa mudança?

Antes cores terrosas com baixa saturação e agora essa exploção de cores?
A mudança ocorre com a chegada dos fios sintéticos na década de 1960, quando as indústrias no Peru adquirem conhecimento para fabricar os fios e os novos tecidos.
A partir desse momento os peruanos passam a explorar milhares de possibilidades para compor suas paletas de cores, não há limites.
Quanto mais colorido melhor.
Comercialmente a chegada desses fios fez com que o custo caísse bastante, a produção aumentasse e o produto final, mantas, almofadas, ponchos e outros mil pequenos acessórios chegassem a vários lugares da América Latina.
Com a introdução dos teares eletrônicos a produção deixa de ser somente manual e passa a escala industrial, fábricas surgem por todo país para suprir a demanda.

Imagem acima:
Capa encontrada em todos os mercados de artesanato de Lima, feita com fio 100% sintéticos (poliéster), com bordado manual, o ponto dominante dessa almofada é o ponto corrente.
Essa outra peça foi observada no Lago Titicaca no Peru, nela há uma mescla de processos, a base sintética industrial recebeu um bordado na técnica de ponto Cruz à mão.

Essa outra segue a mesma estratégia, bordar com nós franceses em uma base industrial.


Mas nem tudo está perdido, o conhecimento ancestttral de plantar, fiar, tecer e bordar, ainda está vivo.
O que acontece agora é que esses produtos que são feitos como eram feitos na sua origem, são considerados peças especiais, e em alguns casos verdadeiras obras de arte.
Peças que usam fios naturais, feitos com lã de alpaca, vicunha e que são feitas e bordadas à mão são bem mais caras do que as encontradas nesses mercados.
Normalmente essas peças são comercializadas em lojas de design nas capitais e cidades maiores, como Lima, Quito, Santiago, Bogotá, Salta, Tucumã, ou nos pueblos onde elas são feitas.


Outro movimento que se pode observar, (ainda bem) é a preocupação dessas comunidades em preservar suas tradições e mostrar seu trabalho com o intuito de educar, conservar e também aumentar seus rendimentos com o turismo.
Cidades como as localizadas na região de Cusco possuem organizações que fazem demonstrações de como eram feitos os fios, o tingimento e a tecelagem.



Crédito das imagens:
acervo ancesttral.studio