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O Império Otomano e suas influências e o Bordado na Turquia

O Império Otomano e suas influências e o Bordado na Turquia

 

No século XVI, os limites ocidentais do Império Otomano chegaram até o Rife marroquino (região montanhosa) e quase até a Áustria. Por centenas de anos, os turcos governaram a maior parte do Norte da África. Em todas as vilas e cidades do império, os estilos de bordado eram baseados em modelos da Turquia. Eles tinham tanto em comum que muitas vezes é difícil diferenciar as diferentes regiões. O bordado de fio de metal pesado é comum em todo o norte da África, mas provavelmente menos no Marrocos, que escapou da dominação turca direta.

O bordado era de grande importância na região. Era comum que homens bordassem, esses faziam grandes tapeçarias, dosséis e mantas para cama e chão de várias larguras de tear de linho unidas.
Havia um padrão de tecido específico bordado em seda ou estampados que reproduziam os mesmos desenhos encontrados em cerâmica e tapetes. Os temas dos desenhos eram de ornamentos florais (tulipas, cravos, jacintos e rosas) como o das peças de Iznik (cidade da província de Bursa, Turquia) que refletiam o culto à jardinagem.

O apogeu do bordado otomano é representado pelas grandes tendas militares, duzentas das quais foram capturadas após o cerco de Viena (em 1683, otomanos travaram uma batalha com militares do Império Romano-Germânico cujo resultado impediu o ingresso do Império Otomano na Europa). Simples por fora, seus interiores são jardins mágicos de apliques florais, de linho, algodão, cetim, veludo, couro e lantejoulas, sobre fundos vermelhos ou azuis.

Outra classe de bordado profissional, na qual a Bursa se especializou, era o bordado em ouro e o veludo para casacos e jaquetas femininas, que eram usados com calças em casamentos e outras festividades.

Muitos bordados, no entanto, eram domésticos, feitos em linho ou algodão com trabalhos em seda estendida e dobrada, cerzido de padrão e fios de metal dobrados, às vezes orlados (ornar ao redor) com oyá (tipo de renda turca originalmente feita de fios de seda com nós – como a renda Tenerife) ouro ou crochê de seda.

Entre os utensílios domésticos, roupas de cama e travesseiros, guardanapos e toalhas maiores, ambos com extremidades bordadas em cada ponta, e bohça (tecidos usados para embalar) quadrada eram os mais comuns.
As bohças eram pedaços de tecido (tradição tribal) usados para cobrir tudo, desde roupas limpas levadas semanalmente pelas mulheres para o banho até presentes de frutas e doces. Roupas como calças femininas, lenços de cabeça e faixas para ambos os sexos recebiam tratamento semelhante.

O repertório do jardim floresceu em uma arte popular que durou até o século XIX.
O ramo de rosas, a tulipa e o jacinto continuaram sendo os favoritos, com distritos individuais desenvolvendo seus próprios designs, e flores e cores assumiram significados especiais. Estes bordados otomanos influenciaram fortemente os do continente da Grécia e das Ilhas Gregas.

Na Argélia, a técnica mais popular era o de fio contado. Os desenhos são ainda hoje delineados em seda preta ou, às vezes, fio dourado em ponto corrente encerrando áreas decoradas principalmente em forma de ponto cheio e algum ponto de cetim em seda azul. O uso de ponto de ilhós, dava um efeito de quadriculado, que é muito característico do trabalho de Argélia.

O bordador tradicionalmente trabalhava enquanto estava sentado no chão, por isso, atualmente os melhores bastidores encontrados no mercado são de origem turca, e de outros países do norte da África, pois eram desenvolvidos de acordo com as necessidades das técnicas.

Atualmente no território onde o Império Otomano se estabeleceu no passado está a Turquia a tradição de bordar se manteve forte e atual, desde bordados mais tradicionais, até aqueles que também recebem influência da globalização e das redes sociais. Existem tipos diferentes de bordado:

Süzeni:  esse bordado usa a agulha coma ponta igual a ponta de uma agulha de crochê a mesma usada na técnica de Lunéville.

Kasnak işi: esse bordado usa bastidor redondo e normalmente são usados pelas bordadeiras contemporâneas que fazem tanto pontos de bordado livre como os bordados 3D.

Antep işi : é bordado indígena da província de Gaziantep, no sudeste da Turquia.

Existe também o bordado Zardozi, este bordado com fios de ouro e prata geralmente é feito em torno das mangas de roupas longas na Caxemira, por isso muitas vezes essa técnica é encontrada também na Índia e Paquistão, provavelmente essa influência aconteceu em função das conquistas e comércio entre esses países no passado.

Na Turquia, bordados pesados ​​feitos com fios de ouro e prata são frequentemente usados ​​em cerimônias especiais como casamentos ou noites de henna. Entre os séculos XVI e XVIII, era muito popular os  têxteis para revestir o mobiliário com bordados denominados Turkeywork, esses eram  produzidos por artistas profissionais na Inglaterra, eles viajavam por todas as regiões turcas em busca de referências e materiais.

 

 

Crédito de imagens:

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Vekan Museun

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