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Se no Brasil os escravos foram traficados para trabalhar na colheita da cana, nos Estados Unidos a escravidão era praticada para suprir a demanda do algodão pela indústria têxtil.
A forte tradição do Quilting afro-americano existe desde o início da América. As colchas deste período estão ligadas a atos horríveis de escravidão.
Mas também falam da coragem e determinação das pessoas que se recusaram a serem silenciadas e encontraram formas inovadoras e infinitamente criativas de contar histórias pessoais, experiências e mensagens privadas, ao mesmo tempo que construíam uma nova identidade como afro-americanos.

O Quilting era uma maneira de eles serem capazes de continuar sua arte de uma forma que fosse aceitável pois os traficantes de escravos permitia sua execução porque as mantas produzidas os mantinha aquecidos.
Poucas evidências sobreviveram dos têxteis da América primitiva, particularmente daqueles feitos por comunidades escravas. Mas os relatos históricos contam como se esperava que as mulheres escravas trabalhassem longas horas produzindo tecidos, roupas e roupas de cama para os seus proprietários através da fiação, tecelagem e costura. Como lhes era dado pouco para dormirem sozinhos além de restos e sacos, os escravos tinham que fazer suas próprias roupas de cama para se manterem aquecidos. Trabalhando com todos os limitados recursos de tecido disponíveis, incluindo roupas velhas, sacos de comida e trapos que lhes foram dados ou descartados pelos proprietários das plantações, as mulheres africanas confeccionaram camas confortáveis para si e para as suas famílias, uma prática que evoluiria gradualmente da necessidade para a expressão artística.
Forçados a abandonar as suas casas, bens e famílias, os escravos tiveram que criar uma nova história a partir dos meios mais limitados. O Quilting era uma forma de manter viva a cultura visual e as tradições têxteis da sua África natal e de integrá-las no tecido da sua vida cotidiana. A tradição africana de fazer padrões grandes, com cores brilhantes para distinguir um grupo de parentesco de outro, podia ser visto à distância, foi usado para o Quilting afro-americano. Os têxteis Kuba (é uma peça de tecido originária da República Democrática do Congo) em painéis geométricos decorados com bordados e búzios tiveram forte influência, enquanto os padrões coloridos dos têxteis Kente (tecido produzido pelas etnias axânti e jejes no Gana) e Bogolanfini (tecido de algodão de origem malês tingido com lama fermentada) foram recriados em pedaços de tecido recortados.
Os motivos de diamante eram um símbolo africano para as fases da vida, com as pontas representando o nascimento, a vida, a morte e o renascimento – estas formas evoluíram mais tarde para a renomada tradição afro-americana para o motivo “Pinha” ou “Pine Burr”. As quebras de padrões eram frequentemente incorporadas nos designs africanos porque se acreditava que afastavam os maus espíritos que seguiam caminhos lineares ou marcavam as mudanças naturais das experiências de vida, enquanto os padrões mistos eram um símbolo de estatuto, com mais padrões sinalizando maior posição social.
Embora os têxteis africanos tenham sido tradicionalmente praticados por homens, nas comunidades afro-americanas foram predominantemente as mulheres que adoptaram o Quilting, transformando-o numa forma poderosa de arte popular que foi transmitida de geração em geração.

Os padrões e desenhos africanos tornaram-se profundamente integrados na nova América através da importação de escravos e dos seus tradicionais têxteis africanos.
A colcha de retalhos surgiu simultaneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos, em famílias da aristocracia, num período em que havia escravos africanos nessas famílias. Como os pedaços de tecido estavam se tornando cada vez mais disponíveis depois de 1750 com o processo de industrialização, é provável que os ingleses e os americanos tenham herdado dos seus escravos a ideia de usá-los decorativamente.

Os fabricantes raramente assinavam seus trabalhos, o que significa que muitas vezes é difícil para os historiadores distinguir quem fez colchas específicas da época.
As colchas eram frequentemente feitas por grandes grupos de mulheres, que podiam ser todas afro-americanas ou incluir mulheres brancas entre elas, complicando ainda mais os registros da história. Mas nas comunidades escravas afro-americanas, as colchas eram uma das poucas ocasiões sociais sancionadas pelos proprietários, conferindo ao ato de fazer colchas uma qualidade de emancipação e liberdade expressiva.
Crédito de imagens:
Tucson.com