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Para entender o preconceito que existe em relação ao fazer manual, é necessário pensar como a mulher foi vista na sociedade por muitos anos, depois disso fica mais fácil entender a relação do feminino com a atividade manual.
A mulher sempre foi alvo de discriminações e durante muito tempo era submissa aos homens…
Durante muitos séculos, a imagem da mulher era equivalente à de uma escrava, numa época em que ser livre significava, basicamente, ser homem. As funções primordiais femininas eram a reprodução, a amamentação e a criação dos filhos.

No período medieval, o tratamento com as mulheres não se fez de outro modo, elas eram governadas pelo simples fato de serem mulheres.
Aristóteles (filósofo grego) explica que essa submissão das mulheres aos homens deu-se pela superioridade da autoridade masculina diante das vontades do casal, bem como da necessidade de as mulheres se guardarem no interior da família, cumprindo o papel de mãe e dando educação aos filhos. Segundo ele, elas não poderiam conduzir seus desejos e as relações com outros, pois quem cumpria o papel de superioridade eram os homens.
Um marco no que diz respeito à história das mulheres durante a Idade Média foi a perseguição a elas, mais conhecida como “caça às bruxas”. Foi um genocídio praticado contra o sexo feminino, na Europa e nas Américas, em que muitas mulheres sofreram agressões e até mesmo perderam suas vidas por serem consideradas feiticeiras.
Na verdade, as “bruxas” eram mulheres que agiam contra o “tradicional” e questionavam o sistema. Por isso, era preciso achar um motivo para que a sociedade se voltasse contra elas, a fim de que fossem queimadas, ou seja por serem do sexo feminino.
Com o passar dos anos, as mulheres passaram a assumir importante papel no desenvolvimento econômico das cidades. Surgiu um novo modelo de relação de trabalho, tendo em vista o alto crescimento da economia urbana, e as mulheres passaram a ser inseridas nesse espaço, que visava intercalar trabalho e cotidiano, no qual, com o casamento, o homem e a mulher formariam um núcleo de atividade econômica.
Mesmo que as coisas tenham começado a mudar e tenha surgido a possibilidade de as mulheres alcançarem independência social e profissional, ainda permanecia a grande ideia de que a formação da mulher devia ser voltada para a área da família e da economia doméstica (o bordado fazia parte disso), não havendo a possibilidade de ter uma formação profissional ou científica.
Durante a Revolução Francesa algumas mulheres tentaram modificar alguns padrões de comportamento e criar regras para proteger e tentar melhorar as suas condições de vida e de trabalho. Mas, obviamente, ganhavam bem menos que os homens na época, e não conseguiram ir muito longe e foram mandadas para a guilhotina.
É nesse período da história que o feminismo ganha forças e passa a ser visto como uma ação política organizada, cujo objetivo era reivindicar os direitos de cidadãs, diante das barreiras que lhes colocavam. Esse movimento passa a ter um discurso voltado para a luta das mulheres.
Nos Estados Unidos a história não era diferente. Do texto que falava que ‘todos os homens foram criados iguais’, o conceito de “homem” englobava apenas aqueles do sexo masculino, excluindo as mulheres, bem como os negros, índios e homens de baixa renda.
Na Inglaterra, o feminismo foi muito marcado pela crítica que Mary Wolltonecrat (escritora) fez aos pensamentos de Rousseau (filósofo). Ele acreditava que o homem pertencia ao mundo externo e a mulher ao interno, devendo sempre estar a serviço do homem. Ela contestou que existem diferenças naturais entre homens e mulheres, tanto de caráter quanto de inteligência. A suposta inferioridade da mulher dava-se pela sua educação, propondo, então, que as mulheres passassem a ter as mesmas oportunidades de formação intelectual, bem como de desenvolverem-se fisicamente que os homens.

Após esse período da revolução, com a chegada do século XIX, veio o capitalismo que trouxe consequências para a esfera feminina. Com a implementação de fábricas e o desenvolvimento da tecnologia, as mulheres passaram a trabalhar dentro do setor fabril, em atividades compatíveis com as que exerciam dentro de casa, em condições degradantes, e com remuneração sempre inferior à dos homens. Uma das justificativas para tal diferença é de que não havia a necessidade de as mulheres ganharem mais que os homens, pois elas tinham quem as sustentasse, no caso, eles próprios.
Dessa forma, fica evidente porque o bordado até muito recentemente era considerado, “coisinha de mulher.” Tudo que se realizava dentro de casa não tinha valor, servia somente como papel de manutenção para que o homem pudesse brilhar e ser reconhecido profissionalmente.

Pelo fato das mulheres cada vez mais irem trabalhar fora para ajudar a compor a renda e também por poderem pela primeira vez estudarem e terem uma profissão de escolha delas, o trabalho manual foi deixado de lado.
Somente muitos anos depois, quando o excesso de trabalho começa a gerar doenças e prejudicar o capitalismo, é que surge o conceito que incentivava que as pessoas buscassem uma atividade que proporcionasse lazer sem ter obrigatoriamente que gerar renda, o hobby…
O hobby concedia às pessoas a oportunidade de se livrar de toda carga negativa acumulada durante o dia.
Com isso de maneira cíclica os hobbies foram surgindo: da jardinagem, as aulas de costura criativa, marcenaria, passando pelo bordado, temos de volta aquelas atividades que lá atrás, mencionadas no inicio do texto, eram atividades “menores.” Assim, chegamos aos dias atuais, em uma sociedade cada vez mais deprimida e doente que já percebe que é preciso encontrar um caminho de equilíbrio entre prazer e trabalho.
Hoje além da possibilidade de se viver melhor, com os benefícios oferecidos pelo fazer manual, o hobby também pode se transformar em um negócio próprio.
Crédito das imagens: Google