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Renda de Bilro

Renda de Bilro

 

Para alguns historiadores a renda de bilros originou por volta do século XV em países como Itália, Inglaterra, Espanha e Bélgica.

Se atribui sua origem à Itália e aos Flandres e foi trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses podendo ser encontrada nos estados de Santa Catarina, Ceará, Bahia, Piauí e Maranhão.

É feita sobre uma almofada, cujo o enchimento pode ser crina, serragem, capim ou algodão. A almofada é coberta por um tecido de cor clara para não confundir a visão da bordadeira e recoberta com alfinetes que perfuram um papel com o desenho a ser rendado.

A falta da necessidade de agulha para realizar essa renda é uma das principais características dessa técnica, em seu lugar alfinetes são usados. No Brasil muitas vezes esses alfinetes são feitos com os espinhos do mandacaru.

Essa almofada é a base para a confecção do trabalho e deve ficar apoiada num material de madeira para facilitar o trabalho.

Sob essa almofada fica um molde com um desenho, onde será seguido com o trançar dos bilros, que podem chegar a 300, sempre trabalhados aos pares no máximo 4 por vez.

Os bilros são objetos de madeira, com uma pequena cabeça nas extremidades na qual é enrolada a linha para execução do trançado.

Além da beleza da renda produzida ao final da peça, os nomes dos pontos também chamam a atenção pela graciosidade, quer ver?

 

“Abacaxi, folha em renda, cocadinha, não-me-deixe, mata-fome, coração, palma, zigue-zague, trocado, trança, quadro, margarida, trocadinho, matachim, aranha, meus olhos, escadinha de cupido, etc.”

Isso acontece porque uma das mais tradicionais regiões que produzem a renda ficou isolada por muitos anos por falta de rodovias que ligasse a cidade de Raposas, por exemplo, às grandes cidades da região norte, não só a nomenclatura dos pontos foi influenciada pelo isolamento até outras palavras do vocabulário cotidiano são usadas somente lá, não havendo no dicionário sinônimos para esses regionalismos.

A renda de bilros também é muito importante em outros países, na Eslovênia, por exemplo, essa técnica de bordado é um dos mais utilizados e comuns para a população, praticados na confecção de trajes já foi muito importante na economia local durante séculos passados.

Atualmente no país, existem cerca de 120 sociedades que praticam a renda de bilros. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) integrou a renda de bilros da Eslovênia como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, em 2018.

 

Crédito das imagens:

Econordeste – agenciadonordeste.com.br

Mundo Luzíada  – jornal português

Rendeiras Cariri

 

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