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Trata-se de um bordado branco, é uma técnica que até o século XVI era somente realizada por homens, pois até esse momento usava-se materiais muito caros, tais como, fios de seda, ouro e prata sob tecidos raros, muitos usados nas vestes eclesiásticas e da alta hierarquia, entendia-se que por isso somente os homens possuíam condições de trabalhar com tais produtos.
Com o tempo as mulheres começaram a aprender essa técnica no ambiente doméstico e a executá-la.
Por definição o bordado tem finalidade decorativa (tecidos e telas) onde a agulha insere fios e produz um desenho, enquanto a renda corresponde a criação de um novo tecido, onde um fio é conduzido em movimentos específicos para alcançar o resultado desejado.

O Crivo corresponde a uma mescla dessas duas técnicas: renda e bordado, cujo desenho é feito com a retirada de alguns fios e ao agrupamento de outros com pontos de bordado.
É um trabalho que aparece em muitos altares de igrejas, tradicionalmente feito em branco, essa técnica é muito vista na Suíça e sul da Alemanha, onde é possível encontrar exemplares do século XIII, o chamado Opus Teotonicum (ordem religiosa que cuidava dos germânicos durante as cruzadas).
O Crivo encontrou grande dificuldade de divulgação, por ser feito em sua maioria dentro de casa. Os pontos eram passados de mãe para filha, assim não havia a necessidade de registrar de maneira teórica o passo a passo, pois sempre tinha por perto alguém que podia explicar a execução da técnica. Nessa época o índice de mulheres alfabetizadas era baixíssimo, outro obstáculo que não permitiu sua divulgação.
Outro fato interessante diz respeito a nomenclatura dos pontos: não existe especificação de nomes, existem grandes grupos onde há uma infinidade de pontos contidos neles, como por exemplo espinhas, crivos, bainhas, pontos reais, pontos de fundos e adamascados. Todos os pontos se desmembram em mais de 30 variações cada um…
Sequência para bordar Crivo:
Desfiar: vazar o tecido separando os fios e cortando para fazer quadradinhos;
Tampar: preencher os espaços com um desenho utilizando linha;
Urdir: reforçar as laterais dos quadradinhos com linha;
Casear: dar acabamento nas bordas para que o tecido não desfie.
Crédito das imagens:
acervo ancesttral.studio