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Qual a sua técnica de bordado?
Sou especializada em Stumpwork e Bordado 3D. Apesar disso, gosto bastante de mesclar outras técnicas à essas. Em minhas peças já combinei ao bordado 3D técnicas como: aquarela e bordado em papel; feltragem; aquarela em tecido; bordado com pedrarias. Estou sempre estudando e observando como posso utilizar outras formas de arte com o bordado 3D.

Como o bordado chegou na sua vida? Nos conte brevemente sua história.
Eu sou pós-graduada em Direito, mas sempre fui apaixonada por diversas formas de arte. Desde criança, a minha matéria preferida na escolha era Artes e eu sempre estava envolvida com alguma atividade manual.
O bordado era uma Arte que eu tinha vontade de aprender e acreditava que, quando fosse “vó” eu iria aprender a bordar, na minha cabeça de criança e adolescente o bordado não era atividade para pessoas jovens. Foi em 2020, com a pandemia do COVID-19 e a quarentena que eu finalmente resolvi começar a bordar, após ver uma matéria com as meninas do Clube do Bordado.
Uma vez em que peguei na agulha não consegui mais parar! Eu sempre fui meio autodidata e curiosa, sabe? Então, aprendi tudo sozinha. Somente depois de algum tempo bordando e testando que comprei alguns cursos online de pintura de agulha para aprimorar a técnica.
Quanto ao Stumpwork e Bordado 3D, eu vi algumas artistas estrangeiras fazendo e fiquei fascinada pela técnica. Comprei alguns livros para estudar, mas o resultado não estava ficando exatamente como eu gostaria. Então, comecei a fazer experimentos e desenvolvi (e sigo desenvolvendo) a minha própria técnica.

Em qual momento do dia você borda?
Sempre que eu posso, meu marido fala que estou viciada (risos)! Meu momento favorito do dia é acordar e tomar o meu café fazendo algum bordado pessoal (que seja por lazer ou estudo, não para trabalho). Fora isso, divido a minha rotina entre bordar e outros afazeres burocráticos de casa e do ateliê.
Quais são as suas influências para o desenvolvimento do seu trabalho?
Eu me inspiro demais na natureza. É muito interessante que quando começamos a nos inspirar nela para criar a nossa arte, o nosso olhar muda… Começamos a observar e reparar coisas que não víamos antes. Também gosto de analisar e estudar outras formas de Arte e artistas, tudo serve de inspiração ou me dá ideias para projetos futuros.
Quais foram os principais desafios que você vivenciou ao longo da sua experiência com bordado?
Acredito que o principal deles, que eu (e outros artistas com quem converso) vivencio até hoje é fazer com que o bordado seja reconhecido como uma forma de Arte. As pessoas têm dificuldade em ver e valorizar o bordado como tal.
Como você lida quando um trabalho dá errado?
Considero o erro um aliado! Normalmente no erro a gente aprende uma lição, descobre uma forma nova de fazer algo… Foi justamente através do erro e do acerto que eu desenvolvi a minha técnica de Bordado 3D. Acredite, algumas das técnicas que eu utilizo hoje só surgiram pois algo que eu tentei antes deu errado.
Onde você busca inspiração?
Na natureza, em livros de arte, em tudo ao meu redor. Conforme eu vou treinando o meu olhar, observo que tudo pode servir de inspiração…

O que gostaria de aprender ainda no universo têxtil?
Tenho muita vontade aprender bordado de Lunéville. Acho a técnica incrível e diferente de tudo que eu faço!
Nos conte, no mundo têxtil, quem você admira?
Ahh, tantas pessoas! Tem muita gente boa nesse mundo, mas para citar algumas: Carlane de Moraes, Bianca Barbosa, Michelle Staub, Pippa Haynes, Kris Akitsuki, Ceci Santamaria, Ekaterina Sinchinova…
O que não pode faltar na sua caixa de bordado?
Além do básico? Um dedal de silicone e um alicate de bico chato! Muitas vezes o meu trabalho recebe uma grande quantidade de linha no mesmo ponto e fica “beeem” difícil de passar a agulha. Essa dupla aí é uma ótima auxiliar para esses momentos.
Qual conselho você daria para uma novata?
Podem ser dois?
O primeiro eu recebi quando eu estava começando a bordar: quando se está começando é extremamente importante passear por diversas técnicas até você encontrar a seu preferida. Eu achei que era bobagem, mas segui e… Foi exatamente o que aconteceu comigo: após estudar e experimentar várias técnicas eu encontrei o Bordado 3D e, desde o primeiro ponto até a finalização, eu fiquei completamente encantada com todo o processo! Para mim é simplesmente mágico ver um bordado plano tomando forma e se tornando independente do tecido.
O segundo? Estude! Estude muito e não tenha medo de experimentar! Você vai fazer muito coisa estranha, mas também ter resultados incríveis.
Créditos de imagens: @carolgellert.atelie