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Se você não tem familiaridade com o fazer manual, é provável que você atribua somente ao sexo feminino esse tipo de atividade.
Porém a realidade mostra que mesmo em menor proporção eles também bordam!
Historicamente cabia as mulheres que estavam em casa serem responsáveis pelos trabalhos domésticos, o que também incluía a execução de tudo que era preciso para um lar funcionar, bordados nas toalhas e nas roupas.
Nos países como a Índia, Irã e China os homens já bordam há muito anos, alguns com reconhecimento internacional.
Seja como manifestação artística ou como produtor em uma cadeia têxtil os homens também bordam.
Para iniciar vamos homenagear um homem muito especial.
ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO

Falar sobre Arthur Bispo do Rosário é falar de arte, loucura, paciência e bordado.

Ele próprio só presenciou uma exposição com suas obras uma única vez, tinha dificuldade de se separar delas, fato é, que durante 7 anos bordou com as ferramentas que possuía dentro do manicômio que morava, agulha, tecido e linha proveniente dos velhos uniformes dos internos que ele desfiava.

O processo de aceitação do delírio era doloroso para ele, chegou a fugir algumas vezes, mas por fim aceitou que a paz que necessitava para viver ele encontraria na Colônia de tratamento psiquiátrico que já havia o acolhido algumas vezes anteriormente.

Em 1964, permanece definitivamente na Colônia. É neste ano que Bispo vai preso por três meses, em uma das celas do Pavilhão 10 do Núcleo Ulisses Vianna, por ter errado a dose no uso da força ao conter um paciente sendo esse um pedido constante dos funcionários. Ao sair do confinamento, relatou que “ouviu vozes que lhe diziam que chegara a hora de representar todas as coisas existentes na Terra para a apresentação no dia do juízo final”.

Uma de suas criações mais importantes é o Manto da Apresentação. Vestimenta que fabricou ao longo de décadas, enquanto esteve internado na Colônia Juliano Moreira. Um antigo cobertor, transformado em majestoso traje, bordado interna e externamente com palavras e símbolos que revelam a síntese de sua obra.
Usa para bordar em suas peças basicamente ponto corrente, ponto atrás e ponto cheio.

Arthur nasceu em Japaratuba cidade que fica a 54 km de Sergipe, com tradição de trabalhos manuais, saiu de lá provavelmente em busca de condições melhores de vida.
Ingressa na Escola de Aprendizes Marinheiros, em Aracaju, no ano de 1925. Não há registros, mas pode-se dizer que cresceu em uma cidade onde o trabalho manual era uma tradição local, assim encontrado em qualquer parte e na Escola Naval encontrou referências para sua obra, bordou muitos dos símbolos usados na Marinha, sinais e bandeiras.
Crédito de imagens:
Museu Arthur Bispo do Rosário
acervo ancesttral. studio