Digite sua busca e pressione enter
Qual a sua técnica de bordado?
Desde que aprendi a bordar tenho um enorme interesse em aprender
pontos do bordado, mas meu foco é o bordado livre em bastidor e
bordado associado com aquarela no tecido.

Como o bordado chegou na sua vida?
Foi durante a pandemia, aprendi com as professoras do Ateliê onde eu
dava aula de aquarela. Minha mãe e tias sempre bordaram, assim como
todas as mulheres de algumas décadas atrás. Mas eu nunca me
interessei, pelo contrário, até tinha uma certa resistência pois achava que
o bordado era ensinado para as mulheres ficarem limitadas em seus
círculos femininos, no cuidado doméstico. Há anos que o bordado vinha
sendo símbolo da feminilidade passiva. Muitas mulheres da minha
geração foram se distanciando dessa prática por pretenderem ter uma
carreira e serem profissionais em suas áreas. Mas houve um momento
no início dos anos 2000, nas redes sociais, em que muitas mulheres
mais novas começaram a se interessar pelas artes manuais em geral e o
trabalho têxtil ressurgiu na internet, desta vez sendo a voz de ativistas,
mulheres progressistas, que se dedicaram logo a mostrar suas ideias
através do trabalho manual. Nesse momento eu me interessei.

Em qual momento do dia você borda?
Qualquer horário, sempre que tenho intervalos no trabalho, ou quando
estou preparando alguma peça modelo para aulas. Gosto também de
bordar junto com outras pessoas, num grupo onde nos encontramos
periodicamente pra tecer, aqui em Belo Horizonte.

Quais são as suas influências para o desenvolvimento do seu trabalho?
Procuro ver de tudo um pouco, para me inspirar no que está sendo
desenvolvido por aqui e no exterior.
Quais foram os principais desafios que você vivenciou ao longo da sua
experiência com o bordado?
Um grande desafio foi ter tido câncer em 2021, me sentir muito doente e
sem forças e mesmo assim querer continuar bordando.

Onde você busca inspiração?
Minha inspiração vem das mulheres mais novas, as que tem visão de
mundo evoluída, pensamento crítico ampliado, mas também nas peças
que minha mãe bordava, bem antes de eu me interessar pelo bordado.
O que não pode faltar na sua caixa de bordado?
Muitas cores e também um bom pingente cortador de linha que levo em
viagens.

Qual conselho você daria para uma novata?
Olhe, observe. O bordado começa muito antes da agulha tocar o tecido.
Ele é planejamento e criatividade. E tenha leveza pra praticar sem se
cobrar. Os detalhes e as imperfeições são frutos das nossas
imperfeições como humanos.
Em qual momento você uniu a aquarela ao bordado?
A aquarela chegou primeiro, sempre esteve lá, e quando me senti segura
em executar um bordado mais complexo, resolvi juntar as duas coisas.
Hoje até faço muita confusão quando vou falar sobre tintas e linhas, e
suas cores. Círculo cromático, cores análogas e complementares, tríades de cores, etc, pra mim tudo é a mesma coisa.

Crédito das imagens: @giselle__vargas