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Por falar em moda, hoje a conversa é com a Julia, com experiência em estilo devido ao seu trabalho em empresas de moda com relevância nacional, ela dividiu com a gente sua opinião sobre o fazer manual na Moda.
Fale um pouco sobre sua formação e experiência.
Sou estilista pela FAAP, e pós graduada em gestão de moda pela USP. Trabalhei como estilista em marcas como: Le Lis Blanc, bo.bô, Canal Concept, grupo Malwee e Gallerist.
Você sempre gostou de moda?
Sempre! Comecei gostando de revistas de moda, e queria trabalhar com marketing e jornalismo de moda… mas sempre tive muito interesse e curiosidade em tecidos e modelagens. No terceiro semestre da faculdade fui trabalhar na área de estilo e nunca mais saí.

Como você percebe o fazer manual dentro da cadeia produtiva da moda que precisa de escala para ser viável economicamente?
Acredito que o trabalho manual depende unicamente de pessoas talentosas, e diferentes de outras etapas do sistema de moda, ele é mais complexo de se ensinar. Na minha opinião o trabalho manual está mais para uma cultura, uma história ou um hobby do que para uma indústria. Acho difícil escalar o artesanato em grande quantidade e viabilizar o custo…
Como você pensa em uma coleção, no seu processo criativo em qual momento o bordado ou alguma técnica manual entra na coleção?
Depende do lugar que estou trabalhando, alguns lugares era inviável trazer qualquer tipo de trabalho manual nas peças, por tempo e dinheiro.
Hoje, trabalho em um lugar que me possibilita pensar em diferentes maneiras de trazer a exclusividade que só um trabalho manual pode proporcionar à coleção. Esse processo pode ser pensado no começo, quando estamos criando os modelos que irão entrar na coleção ou após a peça piloto ficar pronta e precisamos dar um toque especial nela.
Nas coleções que a arte manual está presente, você consegue encontrar mão de obra qualificada para realizar as peças?
Muito difícil, tenho alguns parceiros que ao longo da minha carreira fui conhecendo e levando comigo, porém algumas empresas “não comportam” pequenos artesãos. Alguns são trabalhadores informais, trabalham em casa ou em pequenos ateliês…. Isso dificulta a entrada deles em empresas de grande porte.

Você acredita que o bordado ajuda a coleção a ter uma identidade única e trazer conforto emocional, uma vez que a associação com referências pessoais sempre aparecem?
Com certeza! O bordado traz a ideia de exclusividade e dependendo do “tema” abordado na coleção, pode nos remeter a lembranças e memórias.
A arte manual pode proporcionar que uma peça seja atemporal?
Sim e não, acredito que o bordado pode datar uma peça, contar história de uma época. Como por exemplo: as calças jeans com rosas bordadas marcaram os anos 90 da Les Filós ou as jaquetas de chamois da Daslu com bordado off white… Essas peças marcaram uma época e hoje são considerados vintages que tem muito valor e fizeram história. Já outras peças, como vestidos de noiva bordados, são considerados atemporais.
A moda tem passado por muitas mudanças e transformações. A tecnologia tem mudado a forma de viver e em muitas ocasiões massificado comportamentos e produtos. Você acredita que a Moda tem ainda onde criar?
Para mim, em todos os seus aspectos, a moda é infinita! Sempre tem por onde criar, a moda como arte, enquanto houver cabeças pensantes e talentos, ela não acaba.
Já a moda como sistema, pode se apropriar de maneira muito positiva da tecnologia, como por exemplo programas de computador que fazem ampliação de moldes e facilitam o trabalho das modelistas ou maquinários mais sustentáveis que usam menos energia elétrica e boas porcentagens a menos de água nas lavanderias de jeans.
A indumentária tem funções além da estética: nos aquecer, proteger, refrescar, comunicar…
Acredito que não tenha nenhuma previsão de andarmos pelados!