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Golpe de Estado Chile – um breve histórico
O Golpe de Estado de 11 de Setembro, ocorrido no Chile em 1973, foi um golpe militar que derrubou o regime democrático constitucional do Chile e de seu então presidente, Salvador Allende. Tendo sido articulado conjuntamente por oficiais insubordinados da marinha e do exército chileno, com apoio militar e financeiro do governo dos Estados Unidos e da CIA, bem como de organizações terroristas chilenas, como a Patria y Libertad, de tendências nacionalistas-neofascistas, tendo sido encabeçado pelo general Augusto Pinochet, que se proclamou presidente.
Segundo o relatório do Instituto Nacional dos Direitos Humanos do Chile, a ditadura matou aproximadamente 4 mil pessoas. Dados de grupos de familiares apontam 100 mil vítimas entre mortos, desaparecidos, torturados e presos.
O cenário ditatorial do Chile perdurou por 17 anos, com fim somente no ano de 1990. Anteriormente, em 1980, Pinochet implantou uma nova constituição, que permitia a prorrogação do seu governo e que o Chile estaria sob o controle do ditador até 1988, quando ocorreria um plebiscito com participação popular. E com 56% dos votos, decidiu-se pelo fim da ditadura e convocação de novas eleições no ano seguinte.
Patricio Aylwin foi o primeiro civil eleito desde o golpe contra Salvador Allende e iniciou seu mandato em 1990. Pinochet saiu da presidência e tornou-se senador vitalício. Em seus últimos anos de vida, ele teve que responder aos processos de crime contra direitos políticos e corrupção durante os 15 anos de ditadura chilena. E também militares acusados de crimes contra Direitos Humanos foram julgados pela Justiça e condenados à prisão.
Apresentando atestado de debilidade mental, Pinochet morreu aos 91 anos sem ser condenado e punido pelos seus crimes em 2006.
Em 2023 essa triste data completou 50 anos.
Arpilleras de Chile
Muito embora as Arpilleras chilenas tenham surgido na clandestinidade durante a ditadura de Pinochet como expressão de denúncia e resistência, é cada vez mais comum, atualmente, ver esta manifestação em espaços ligados ao mundo da arte.
As Arpilleras chilenas são peças têxteis tridimensionais montadas em restos de sacos de batata ou farinha e produzida por um grupo de mulheres marginais da cidade de Santiago. Originam-se logo após o golpe militar não apenas como um meio econômico para aliviar – através da sua venda – a falta de sustento causada pela ausência forçada de homens na família, mas também como testemunho e registro do processo social que o Chile atravessou durante esses anos.

Esta expressão de resistência adotou temas políticos, protesto e compromisso social e uma técnica e forma de composição completamente novos que romperam com a tradição de seus antecessores: as bordadeiras de Isla Negra e Violeta Parra.
Enquanto bordavam com lã nos tecidos rústicos, as Arpilleras da ditadura aplicaram restos de tecidos, resíduos têxteis e uma variedade de outros materiais em suportes previamente preparados.
Hoje em dia, as Arpilleras estão se tornando cada vez mais comuns.
Tem um post só sobre as Arpilleras na aba Bordado Técnicas! E um sobre Carlos Arias um bordador que também colocou em seu trabalho essa temática.
Bordadeiras pela Memória Valparaíso: bordando a memória e a luta.

Na cidade de Valparaíso, o Colectivo Bordadoras por la Memoria realiza há vários anos um importante e valioso trabalho para resgatar e preservar a memória histórica do Chile. Elas mesmas ressaltam que são um grupo de “mulheres que bordam no presente acontecimentos ocorridos no combate à ditadura civil-militar no passado recente e que projetam um futuro de respeito aos Direitos Humanos.” A maior parte de seus trabalhos está relacionada a esse tema.
É um grupo de mulheres ativas, cheias de força e convicção que viveram uma história pessoal de lutas políticas e que, através dos seus bordados coloridos e belos, resistem ao esquecimento e denunciam a violência do presente. Coletivamente organizam e determinam os temas que desenvolverão em seus projetos.
Já se passaram 51 anos do golpe civil-militar, foram anos de lutas e busca por justiça e verdade diante das violações dos Direitos Humanos.

As bordadeiras desenvolveram um projeto bonito e significativo ao tornar visíveis os nomes e rostos daquelas mulheres que foram detidas e desaparecidas neste contexto de horror e que tinham a particularidade de estarem grávidas. As bordadeiras sentiram que tinham uma dívida para com elas e foi a motivação para dar vida a cada um através dos seus fios.

E fizeram também bordados que estão expostos no Museo Nacional Bellas Artes de Santiago.

Como elas mesmas escrevem:
“Nada está esquecido!”
“Ninguém foi esquecido!”
No Museo de la Memoria y los Derechos Humanos há também em exposição diversas peças têxteis que foram feiras por presas durante o regime militar, retratando esse momento tão difícil. Há também outras demonstrando apenas a “arte” como forma de passar o tempo e lidar com o tempo durante o período de cárcere.



Crédito de Imagens:
Museo de la Memoria y los Derechos Humanos
Museo Nacional Bellas Artes de Santiago
@bordadorasporlamemoria