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Entrevista com Hugo Catarinozi – hugo.bordadolivre

Entrevista com Hugo Catarinozi – hugo.bordadolivre

Como o bordado chegou na sua vida?

Eu fiz carreira, na minha cidade e região na realização de eventos. Sou cerimonialista e decorador  construí uma história bonita na realização dos sonhos dos meus clientes. Com a pandemia, tive a graça de repensar no que queria para minha vida pós período pandêmico. Hoje, já não faço tantos eventos sociais, me dedicando apenas a minha função pública que é a de Chefe de Cerimonial do Governo, que por si só já é exigente. Domar a vaidade dos políticos exige muita energia…
Com as decisões na pandemia acabei ficando com tempo livre e pensava o tempo todo em ocupá-lo com a arte. Afinal, a arte vive em mim e corre no meu sangue. Meus avós paternos e maternos são grandes artistas. Iniciei o curso de Pintura em aquarela. Não aceitei tanto as técnicas e não me realizei. Até que tentei o bordado livre e plenamente realizado na primeira aula de bordado. Uma aula foi suficiente. Aprendi os pontos iniciais e segui bordando. Um vídeo aqui, outro lá, um estudo acolá… Ainda tenho muito, mas muito para aprender. Mas posso dizer que nesses três anos de prática, já bordo bem.

Pelo fato de ser homem, sente que há preconceito por bordar?

Eu ainda não passei por nenhuma situação de preconceito tão às claras. Mas eu sinto que algumas noivas, principalmente, ao fechar suas encomendas de porta aliança, costumam ficar inseguras por se tratar de um homem bordando. E é interessante a surpresa. Fecham por indicação das cerimonialistas e quando recebem a peça se surpreendem. Também já observei que quando os casais são heterossexuais, os homens demonstram certo receio de contato tão direto com um homem, falando de detalhes, particularidades e sentimentos. Afinal, as peças são únicas e personalizadas. Mas reafirmo, nunca passei por nenhuma situação em que o preconceito ficasse externado de forma tão evidente. Mas eu penso que só o fato do receio ao fechar o pedido, já é um tipo de preconceito.

O que você acha que falta para o bordado ser mais reconhecido como arte?

Nós não valorizamos a nossa arte. Eu moro no Estado do Espírito Santo. Aqui muito mais. Os capixabas não são sensíveis a esse ponto de reconhecer a arte, o trabalho manual. É preciso uma reeducação, que faça parte da educação das crianças o contato mais apurado com a arte para que desperte interesse. A arte liberta. Se tivessem a oportunidade desde crianças, certamente seriam adultos muito melhores.

Em qual momento do dia você borda?

Como disse, sou servidor público e trabalho em horário administrativo. Eu bordo pela manhã, antes de ir ao trabalho e à noite, quando chego em casa. E também aos finais de semana. Desde maio de 2024 eu propus iniciar uma oficina de forma voluntária para ensinar mulheres e homens  para bordar. Iniciamos com três mulheres e hoje são onze. Aos sábados nos encontramos e ficamos em torno de uma hora e meia a duas horas bordando. Bordamos peças comunitárias e individuais. São mulheres com suas necessidades sociais, emocionais e carências que só cabem a elas cuidarem. Mas com a arte, a partilha das experiências e ajuda mútua, todas elas, conseguem superar momentos, despertam o empreendedorismo e melhoram enquanto seres humanos. A oficina é aplicada numa sala da Casa Espírita. No que tange a compreensão espiritual, ainda são muito bem amparadas.

Quais foram os principais desafios que você vivenciou ao longo da sua experiência com o bordado?

Eu ainda hoje considero a dificuldade da cartela de cores. Não tenho tanta segurança na combinação das cores, degradê e pontos que exijam essa atenção.

Onde você busca inspiração?

 Eu faço muita pesquisa. Instagram é uma importante ferramenta de inspiração.

O que não pode faltar na sua caixa de bordado?

Eu sempre gosto de ter meadas novas. Não pode faltar novidade, novas cores, novas linhas… Elas me dão ânimo para novos bordados e novos pontos.

Qual conselho você daria para uma novata?

Eu sempre digo na minha oficina, não desistam! Se embolou, desembola. Tenha paciência. O bordado é como a vida, tudo flui e quando temos alguma dificuldade, para respirar, volta ao trabalho e tudo é superado, alcançado. Nunca deixar de contemplar o trabalho realizado. No final, é sempre encantador. Não se preocupe com avesso. Se quer perfeição, faça na máquina. O bordado é livre…

 

Crédito de imagens: @hugo.bordadolivre

 

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