Bem-vindo ao mundo do bordado!

Carrinho
Subtotal : R$144.00

Frete grátis para compras acima de R$300,00

Entrevista com Juliana Farias – Transbordando

Entrevista com Juliana Farias – Transbordando

Como bordado chegou na sua vida?

Eu ia abrir uma marca de roupas com uma amiga, e queríamos algo para agregar valor as peças. Pensamos em bordado, pois as roupas seriam de algodão.
Por sorte, ficamos sabendo que a Escola de Artes Thomas Pompeu Sobrinho estava com inscrições abertas para curso de bordado para iniciantes, era nossa chance.
Fizemos a prova classificatória, e conquistamos as vagas. Foram 3 meses de curso, onde vimos 25 pontos de bordado livre, com a querida Mestra Lúcia Ferreira.
Esse curso mudou totalmente minha visão, pois desde o primeiro pontinho feito, me apaixonei pelo ofício do bordado e decidi que queria ser bordadeira.
No final das contas, nem abrimos a marca de roupas, mas viramos bordadeiras.
E hoje tenho um canal no YouTube, com mais de 100 mil inscritas, onde gravo tutoriais ensinando bordado livre. Além disso, comercializo Cadernos de tecido, com riscos para as pessoas aprenderem a bordar.

Qual sua técnica favorita de bordado?

O Bordado Livre me chama muito atenção pela liberdade em criar. Podemos aumentar o tamanho do ponto, usar qualquer tipo de linha… Se “erramos” um ponto, praticamente criamos outro. Gosto bastante dessa liberdade de deixar fluir minha criatividade.

 Você combina outras técnicas com as técnicas têxteis?

Gosto muito de brincar de aquarelar o tecido, pois deixa o bordado ainda mais bonito, com um segundo plano interessante. Como a aquarela ocupa bastante espaço, não faz-se necessário bordar tanto, com tantos preenchimentos.
Além de aquarelar, de vez em quando também brinco com miçangas, paetês… Para deixar o bordado ainda mais lúdico e diferente.

O que você acha que falta para o bordado ser mais reconhecido como arte?

É complicado, pois moramos em um país que pouco valoriza a arte. Mas seria interessante que as pessoas que bordam e trabalham com isso, estudassem mais sobre a História do bordado, círculo cromático, desenho, precificação, identidade visual… Ter noção disso, contribui para elevarmos nosso senso crítico na hora de criar um bordado.
Pois a intenção não é só bordar um pedaço de pano, é transmitir uma ideia, um posicionamento. E se utilizar do ofício do bordado para expressar o que pensa.

Em qual momento do dia você borda?

Bordo desde 2014. No início, eu bordava até de madrugada, louca pra ver o trabalho finalizado.
Com o tempo, optei por bordar só durante o dia, em local ventilado, bem sentada, pernas apoiadas, garrafa com água ao lado…
Atualmente tenho uma bebê, e está difícil encontrar tempo para bordar todo dia. Mas às vezes consigo um pouco no período da noite, depois que ela dorme.

Quais são as influências para o desenvolvimento do seu trabalho?

Gosto de ler sobre Vanguarda Européia, Gestalt… dá um grande alicerce para desenvolvimento de produto.
Agora falando em artistas, curto demais os trabalhos de: Matizes Dumont, Pedro Luis, Rebecca Jacob, Bordando Resistência, DaSilva.Arte, Gabriel Pessagno.
Além deles, gosto bastante: Kimika Hara, Irem Yazici, Karin Lundstrom, Gabi Goitía, Pengelly.Crafts, Ofelia&Antelmo, Afera.handmade.

Quais foram os principais desafios que você vivenciou ao longo da experiência com o bordado?

A dificuldade para as pessoas pagarem o preço justo das peças bordadas. Infelizmente nossa cultura não valoriza muito o feito à mão, não importa se você levou 20h / 30h para bordar, as pessoas acham caro pagar R$600.
Muitas pensam que estão nos fazendo um favor por comprar, mas não. Existe meses/anos de estudo em história da arte, bordado, fotografia, desenvolvimento de produto, identidade visual… É um trabalho como tantos outros, não passatempo.

Quais são as influências para o desenvolvimento do seu trabalho?

Sou muito observadora. Se em algum momento do dia observar algo interessante, tiro uma foto para lembrar depois. Por exemplo: o piso do ônibus, tem uma padronagem impecável, poderia facilmente virar estampa de roupa, cama, acessórios… Vejo o brilho de uma panela e tento imaginar as cores que usaria para aquarelar/bordar aquele brilho no pano.
Gosto bastante de ir ao Centro da cidade daqui de Fortaleza, lá é um grande laboratório a céu aberto. Costumo observar as pessoas, roupas, calçados, plantas, comidas, enfim, tudo o que possa aguçar ainda mais minha criatividade.

O que não pode faltar na caixa do bordado?

Variedade de linhas e cores, para treinar diferentes possibilidades.

Quais são seus materiais favoritos?

Gosto muito do tecido algodão cru – gramatura média, pois é um tecido engomado e facilita a manejo da agulha. Gosto de usar em um bordado diferentes tipos de linhas, para ter uma textura interessante. E agulha, prefiro as de mão, e não abro mão de bastidor com tarraxa, pra não forçar tanto nossas mãos.

Qual conselho você daria para uma novata?

Inicialmente brinque com o bordado, sinta o caminhar da agulha e linha pelo tecido. Vai bordando no seu tempo, não se cobre tanto. Veja quais materiais mais te agradam.
O ato de bordar é para ser leve e gostoso, se for prazeroso pra você e quiser continuar exercitando, pode aprofundar estudos, não só pontos de bordado, mas sobre história da arte, do bordado, círculo cromático… E se optar por vender suas peças, estude precificação, identidade visual, fotografia, mídias sociais…
Cronometre o tempo que leva para bordar os desenhos, vai anotando porque ajuda muito na hora de precificar.
Se tiver condições, comprei diferentes tipos de linhas, agulhas e tecidos. Quanto mais experiência obtiver, mais segura e profissional se sentirá.

Crédito de Imagens: @transbordando

Siga a gente no Instagram

@ancesttral.studio