Como o bordado chegou na sua vida?
A nona, minha avó materna, era uma bordadeira fantástica! Mas a verdade é que ela detestava bordar.
Lembro de pedir para que me ensinasse e ela ensinou, era também uma professora fantástica.
Depois que cresci me distanciei da prática, mas há 4 anos fui novamente conquistada por esse amor.
Qual sua técnica favorita de bordado?
Gosto do bordado livre, de misturar pontos, pintura de agulha, feltros e qualquer outro enlace que me permita chegar a algum lugar novo.
Você combina outras técnicas com as técnicas textéis?
Sim, quase sempre. Aquarela e feltro mais frequentemente.
O que você acha que falta para o bordado ser mais reconhecido como arte?
Se pensarmos que o bordado em si sempre foi utilizado e adorado como uma forma de ornamento e que todo ornamento produzido artesanalmente é uma forma de arte, o bordado em si já é muito reconhecido.
Acredito que a desvalorização é a da bordadeira. Ela que não é reconhecida como artista, mesmo produzindo arte.
Isso porque ela é, historicamente, a mulher que cuida da casa, lava, passa, cozinha e borda (entre tanto mais).
Ela é a responsável pelos trabalhos mais essenciais e de menor valor monetário na formação da nossa sociedade.
Quero acreditar que estamos caminhando para uma consciência dessa cultura desigual e injusta para acreditar que poderemos viver uma evolução.
Em qual momento do dia você borda?
Gosto mais de bordar pela manhã, mas se um projeto me anima, sigo o dia todo, por dias.
Quais são as influências para o desenvolvimento do seu trabalho?
Tive muitas influências durante a vida. No bordado destaco, claro, minha nona, o grupo Matizes Drummond e os lindos roteiros têxteis que já pude viver no comando de Giuli Sommantico.
Quais foram os principais desafios que você vivenciou ao longo da experiência com o bordado?
O maior desafio que enfrentei e ainda enfrento é a pressa.
A gente tem uma necessidade de fazer as coisas rápido, né?!
É aquela vontade doida de acabar logo, mas com o bordado isso não funciona. Ele tem seu tempo e se você tentar atravessá-lo vai acabar precisando desmanchar.
Onde você busca inspiração?
Minha inspiração é viver. Gosto de histórias reais e rotineiras, gosto das relações de afeto e carinho. E essa vida que me inspira tem sempre uma trilha sonora, que normalmente faz parte do vasto e lindo repertório da música brasileira.
O que não pode faltar na caixa de bordado?
Na minha não pode faltar minha tesourinha de cegonha. O primeiro presente que me dei quando decidi que queria voltar a me divertir bordando.
Quais são seus materiais favoritos?
Eu gosto de trabalhar com as tradicionais meadas de algodão no tecido de algodão cru. Com um bastidor de silicone no suporte.
Qual conselho você daria para uma novata?
Não espere saber bordar, não espere os materiais ideais e não se preocupe com o avesso. Pegue uma linha qualquer, uma agulha e borde um coraçãozinho naquele pano de prato velho. É gostoso demais!
Crédito de imagens: @lui.batagin