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Homens que bordam – João Candido Felisberto

Homens que bordam – João Candido Felisberto

Se você está chegando por aqui agora, pode ser que ainda acredite que bordado e as demais artes manuais, ou como preferimos Arte Têxtil com respeito, é coisa sem importância e de menor valor.

Mas como entusiasta e praticante afirmo que, o bordado acompanha, direta ou indiretamente toda vida humana após o período Neolítico.

Se ao pensarmos em bordado automaticamente nos veem a mente donzelas delicadas com ar de frivolidade sentada em uma poltrona e bebericando um chá, cabe dizer que as linhas e os bastidores foram, vão e irão muito mais além do que a casa da sua avó….

Houve um momento na história brasileira onde a sociedade descontente com os atos da realeza,  revoltou-se de norte a sul do país, antes da República finalmente acontecer de fato, o povo, a burguesia e ex -escravos lutavam para ter uma vida melhor.

Para nós, nesse relato vou me ater à Revolta da Chibata especificamente.

A Revolta da Chibata aconteceu em novembro de 1910, durante a Primeira República,  manifestou a insatisfação dos marujos com as injustiças presentes na Marinha Brasileira. Os castigos físicos eram comuns contra todos os marujos que violassem as regras da corporação.

O estopim para o início da revolta ocorreu quando Marcelino Rodrigues Menezes foi punido com 250 chibatadas sem direito a tratamento médico, ou seja fazia mais de 20 anos que a Abolição da Escravatura havia sido assinada mas pouca coisa havia mudado na prática, cabe mencionar que,  os comandantes dos navios eram sempre homens brancos, enquanto os marinheiros homens negros.

Cerca de um ano antes da revolta, o líder do motim, João Cândido, havia estado na Inglaterra e tido conhecimento que esse tipo de prática não acontecia.

Sobre a Revolta da Chibata, é importante considerar que ela não foi fruto apenas da insatisfação dos marujos com os castigos físicos. Os marujos, em geral, eram originários de famílias pobres, que sofriam com a desigualdade social existente na Primeira República, considerada pelos historiadores também como uma revolta contra a desigualdade social e racial existente tanto na Marinha como na sociedade como um todo.

Encarcerado depois da revolta, bordava durante horas. Os delicados pontos com que escreveu amor e desenhou um coração sangrando, um homem grande e alto por fora cheio de delicadeza no coração e nas pontas dos dedos.

O bordado é a sensibilidade traduzida pelas mãos, sempre esteve presente no meio hostil das três Forças Armadas uma vez que, a costura sempre acompanhou a navegação, porque não havia mulheres a bordo, mas sim roupa e velas para remendar durante a viagem. Na Marinha, além disso, havia muitas insígnias para bordar.

Não se sabe o que mais há de bordado produzido por ele, além de 2 toalhas que foram dadas a um dos carcereiros que se tornou amigo durante o período que João Cândido ficou preso na Ilhas das Cobras no RJ, peças que trazem história e milhares de outros sentimentos.

 

Crédito de Imagens:

Google

Senado Federal

Bienal de São Paulo

 

 

 

 

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