Digite sua busca e pressione enter
Uma das forças motrizes por trás desta atividade foi Miss Phelps. Era filha de um comerciante inglês, que foi para a Madeira em meados de 1850. Impressionada com a habilidade manual das mulheres locais, ensinou-lhes as técnicas do bordado inglês. Assimilando rapidamente esses ensinamentos, Miss Phelps enviou algumas das primeiras peças para a Inglaterra, e depois fez chover encomendas. Ela iniciou uma nova arte na ilha.
Alguns historiadores dizem que foi Bella, a filha mais velha de Joseph e Elisabeth, quem abriu uma escola e ensinou algumas mulheres locais a bordar. Outros, por outro lado, dizem que esta atividade é exclusivamente de origem portuguesa. Até agora, foi impossível confirmar esta ligação. O que podemos dizer é que Bella, segundo alguns documentos de família, infelizmente sem data e sem assinatura, enviou algumas amostras para Londres para uma de suas irmãs, que tinha ligações com a Kensington School of Needlework e assim possivelmente abriu um negócio. Além disso, tanto Simon Phelps, um descendente residente na Madeira, como Penelope Phelps Forrest, uma parente da África do Sul, falam desta atividade: “A primeira gentilmente mostrou-me alguns desenhos feitos pela própria Bella e a última disse-me que tem alguns vestidos e algumas roupas que estão na família há séculos e que dizem ter vindo da Ilha da Madeira.”
A atividade de bordar na Madeira remonta aos tempos do povoamento. Até meados do século XIX, tanto as senhoras da nobreza como as do povo faziam-no para os dotes de casamento. Em 1840, Miss Phelps, filha de um inglês ligado aos vinhos, fundou uma escola dedicada ao ensino desta arte, o que permitiu às jovens dispor de possibilidades de evolução técnica, com o resultado mostrado ao público na exposição de 1850, no Palácio de São Lourenço.
Seguiu-se a Grande Exposição Mundial de 1851, em Londres, determinante para o futuro desta arte: o número de bordadeiras aumentou, e das 1029, em 1863, passou-se para 60000 em 1950. A fundação das Casas de Bordados na virada do século transformou a produção: dividiram-se tarefas e as bordadeiras trabalhavam em peças com padrões estampados nas Casas de Bordados. A concorrência do bordado estrangeiro manteve sempre baixos os custos da mão-de-obra, trabalho duro, paciente e mal remunerado; tanto esforço só foi reconhecido no final do século XIX com a criação da Sociedade de Proteção das Bordadeiras. Só em 1976, com o Sindicato Livre dos Trabalhadores da Indústria de Bordados, Tapeçarias, Têxteis e Artesanato, a classe obteve a dignificação que merecia.
A família Phelps destacou-se no Funchal oitocentista, negociando sobretudo vinhos. A ela pertenciam Elizabeth Dickinson Phelps (17961876), casada com Joseph Phelps, e o casal teve 11 filhos, dos quais se destacaram Elizabeth (Bella)(1820-1893) e Mary (1822-1893). O casal, empreendedor e benemérito, fundou, em 1819, a Escola Lancasteriana masculina e três anos depois, a feminina. As Phelps usavam método (um mestre ensinava os alunos mais velhos, que eram, depois, responsáveis pelos mais novos) que possibilitou a centenas de jovens madeirenses acesso à educação. Bella abriu em 1840 uma escola para ensinar o bordado às jovens e senhoras e tratou da divulgação, promoção e venda do bordado madeirense na exposição do Palácio de São Lourenço, em 1850, e depois em Londres, na Grande Exposição Mundial de 1851. A abertura do mercado inglês foi essencial para o lançamento comercial do bordado. A Mary deve-se um diário escrito entre 1839 e 1843, no qual descreve o quotidiano do Funchal e do Monte, local da quinta da família, acrescentando ainda dados sobre o clima, a paisagem, a comunidade britânica e as suas práticas religiosas, precioso repositório de informação para o Funchal na época.
Crédito das Imagens: